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Estudos mostram que espanhóis chegaram ao Brasil quase três meses antes de Cabral 

Expedição de Vicente Pinzón teria desembarcado no Ceará em janeiro de 1500, mas grupo logo mudou de rota sem se fixar no país

MonitoR7|Ana Luiza Pêgo, do R7*


Mucuripe, no Ceará, onde teria chegado Pinzón
Mucuripe, no Ceará, onde teria chegado Pinzón

Há 522 anos, em 22 de abril de 1500, a expedição portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral desembarcava no Brasil e marcava o descobrimento do país. Essa é a história contada nas escolas brasileiras, porém existem provas de que os primeiros estrangeiros a chegarem em território brasileiro vieram, na verdade, da Espanha.

Estudos apontam que o espanhol Vicente Yáñez Pinzón e os homens chefiados pelo capitão chegaram ao Brasil ainda em janeiro de 1500, ou seja, quase três meses antes de Cabral.

Pesquisadores afirmam que o navegador e seus comandados chamaram a região encontrada de Santa Maria de la Consolación, localizada na ponta da praia de Mucuripe, no Ceará. Outras versões dizem que ele passou pelo cabo de Santo Agostinho, na região metropolitana da capital pernambucana, Recife.

"Em seu depoimento às autoridades da Espanha, Pinzón afirmou que havia aportado no cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco – mas provavelmente se equivocou, ou mentiu", diz o jornalista e escritor Eduardo Bueno, autor do livro Náufragos, Traficantes e Degredados, de 1998.

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Bueno conta que o chefe da missão era um explorador experiente. Oito anos antes de desembarcar no Brasil, ele tinha acompanhado Cristóvão Colombo na gloriosa viagem que, a 12 de outubro de 1492, atingiu o mar do Caribe, descobrindo a América. 

Na ocasião, tanto Colombo como Pinzón "concluíram de imediato que haviam chegado ao litoral oriental da Ásia".

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Embora polêmica, as provas de que Pinzón chegou antes ao Brasil se baseiam em fontes primárias e em pesquisas confiáveis. A expedição foi bem documentada, e cronistas do século 16 se referem a ela em detalhes. 

Pinzón não teria partido em direção ao continente americano. Na realidade, sua intenção era "chegar às porções continentais da Ásia", revela Bueno. Por causa do mau tempo, os navegantes puderam realizar uma das mais rápidas travessias entre Cabo Verde e o Brasil. As caravelas gastaram apenas 13 dias para cobrir um trajeto que durava cerca de um mês.

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"Foi apenas em 1975 que o então capitão de mar e guerra e, mais tarde, contra-almirante Max Justo Guedes, à época diretor do Serviço de Documentação Geral da Marinha Brasileira, estabeleceu, de maneira irrefutável, que Pinzón e seus homens chegaram à ponta de Mucuripe, hoje incorporada à área urbana da cidade de Fortaleza, capital do Ceará – e a meio caminho entre o cabo Orange e o de Santo Agostinho", diz Eduardo Bueno.

O escritor conta que Max Justo Guedes se baseou "nos documentos originais que descrevem a jornada de Pinzón, na polêmica judicial que se seguiu à viagem e, acima de tudo, em um mapa feito em 1501 pelo cosmógrafo Juan de la Cosa".

"Graças ao depoimento dos cronistas da expedição, sabe-se que a terra surgira à frente de Pinzón e de seus homens poucas horas antes do desembarque. Era uma longa ponta, alta e verdejante, que entrava mar adentro, como um dedo, cercada de dunas de areia muito alva e resplandecente."

Na época, o mundo era dividido entre os domínios de Portugal e Espanha. Porém, se antes da descoberta da América esse eixo de divisão estava localizado no mar Mediterrâneo, depois passou ao oceano Atlântico.

De um lado estavam os territórios portugueses e do outro, espanhóis. Esse era o chamado Tratado de Tordesilhas, que definia os limites de cada país nas áreas de exploração na América do Sul. A oeste ficavam os domínios da Espanha e, a leste, de Portugal. 

Por causa do acordo entre os dois países europeus, a Espanha não podia revelar que Pinzón havia encontrado o território, já que este era de soberania portuguesa.

Então, logo que os represenantes do país perceberam que estavam em território português, os navegantes zarparam e seguiram em direção ao norte do país.

Pinzón atingiu, em fevereiro, a foz do Rio Amazonas, a qual denominou de Mar Dulce, de onde prosseguiu para as Guianas e, daí, para o Mar do Caribe. O explorador passou também pelo Oiapoque, no Amapá, onde inclusive há um rio com o seu nome. 

Lei para atribuir descobrimento à Espanha

Em 2002, um projeto de lei que mudava o dia do descobrimento do Brasil foi apresentado na Câmara dos Deputados. O PL 6497/02 declarava o dia 26 de janeiro de 1500 como data oficial do descobrimento.

O autor, deputado Feu Rosa (PSDB-ES), na época, declarou que o intuito da proposição era "corrigir um erro histórico e buscar a verdadeira face de nossa identidade histórico-cultural". O projeto visava justamente reconhecer Pinzón como primeiro europeu a pisar no país. Apesar dos esforços do deputado, a proposta foi arquivada definitivamente em 2004. 

Os indícios são claros de que, realmente, Pinzón e seus homens estiveram aqui antes dos portugueses, porém a história oficial brasileira ignora esse episódio. O governo do Ceará, em 2016, publicou uma reportagem falando sobre a chegada dos espanhóis. 

De acordo com o governo cearense, existem "relatos documentados" de que, cerca de três meses antes de Cabral, o navegador espanhol já teria aportado na Ponta do Mucuripe, em Fortaleza. Inclusive, na capital existe até hoje um bairro chamado Vicente Pinzón, em homenagem ao explorador. 

Apesar de ter chegado por aqui antes, Pinzón logo foi embora corrigindo o incidente de percurso sem fazer qualquer intervenção na região ou tentar conquistá-la. Por isso, fique tranquilo, você não aprendeu nada errado na escola. Cabral é, ainda, o homem que descobriu o Brasil. 

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*Estagiária do R7, com edição de texto de Marcos Rogério Lopes.

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