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O litro de água foi vendido a R$ 93 durante a tragédia no litoral norte de São Paulo?

Maria Isabel, dona do mercado acusado de elevar preços, diz que a informação é falsa e que ela está sendo ameaçada

MonitoR7|Do R7, com informações do Balanço Geral, da Record TV

Maria Isabel mostra alguns preços praticados em seu comércio
Maria Isabel mostra alguns preços praticados em seu comércio Maria Isabel mostra alguns preços praticados em seu comércio

Na semana passada, quando a cidade de São Sebastião — e outras do litoral norte de São Paulo — foi fortemente atingida pelas chuvas no sábado (18) e domingo (19), circulou a informação de que 1 litro de água estava sendo vendido a R$ 93 e que um pacote de macarrão tinha chegado ao preço de R$ 20.

A questão é que a "notícia" não tinha uma fonte segura. Sempre que se falava sobre o assunto era "ouvi falar", "disseram que", e assim a informação se espalhou rapidamente.

Mais grave ainda é que vários comerciantes da região foram acusados de ter aumentado os preços de produtos essenciais. E um mercadinho em específico recebeu muitas reclamações — sem provas — de vender água e macarrão a preços exorbitantes. O Balanço Geral conversou com Maria Isabel da Silva, de 70 anos, dona do estabelecimento, que afirmou ser vítima de fake news. Além disso, ela disse que os preços dos produtos vendidos no seu comércio não foram remarcados. 

O mercado de Isabel foi atingido pelas chuvas e estava coberto por lama, na Barra do Sahy, em São Sebastião
O mercado de Isabel foi atingido pelas chuvas e estava coberto por lama, na Barra do Sahy, em São Sebastião O mercado de Isabel foi atingido pelas chuvas e estava coberto por lama, na Barra do Sahy, em São Sebastião

Na segunda-feira (21), logo após os deslizamentos, Maria Isabel deparou com um tumulto em frente a seu mercado, que tem já há 33 anos, localizado na Barra do Sahy, o bairro mais afetado pelas chuvas. O comércio estava fechado naquele momento, e moradores da região exigiam que o estabelecimento fosse aberto. As pessoas ameaçavam saquear o local. Só que o mercado estava fechado porque os funcionários estavam limpando e retirando a lama que havia entrado ali.

A comerciante, que também é dona de outros quatro mercados no litoral, contou que, após a reabertura do estabelecimento e o início das primeiras vendas, boatos de que ela estaria vendendo água a R$ 93 e macarrão a R$ 20 começaram a se espalhar pela região, mas isso não era verdade. “Eu estou sendo vítima de fake news. Me transformaram na vilã da tragédia”, contou.

Quando questionada, a mulher reafirmou não ter aumentado os preços de nenhum dos produtos no mercado e contou que a loja só estava fechada enquanto os funcionários faziam a limpeza. "Não houve aumento de preço nenhum. O mercado de onde deram essa fake news estava fechado porque estava cheio de lama."

Em meio ao escândalo, Isabel falou que o governador Tarcísio de Freitas havia acionado o Procon para ir até o estabelecimento. Lá, o órgão constatou que os preços dos produtos em seu mercado estavam de acordo com o esperado.

Em uma entrevista coletiva, Tarcísio abordou a questão dos preços exorbitantes no litoral norte. “Temos hoje em andamento uma atuação do Procon e da Polícia Civil para coibir preços abusivos. Infelizmente, numa crise tem aproveitadores que querem tirar proveito da situação. Vamos reprimir isso multando e até prendendo quem praticar.”

Vitor Naccache, vizinho do mercado de Maria Isabel, lembrou o dia do tumulto: "Estava com uma fila grande de gente querendo comprar. Eu ajudei eles a lavar a loja para poder abrir e vender. Ajudei a fazer os atendimentos no primeiro momento, ajudei a fazer a coisa fluir”.

Vitor afirma que não houve aumento de preços
Vitor afirma que não houve aumento de preços Vitor afirma que não houve aumento de preços

Quando questionado sobre a remarcação dos preços, ele disse: “Não teve nada disso, acho um absurdo. Acompanhei as primeiras vendas. Não teve nada fora do padrão”.

Ameaças contra Isabel

Mesmo após a vistoria do Procon, Isabel ainda tem recebido xingamentos na rua e sofrido ameaças de moradores do bairro. "Já falaram até em me linchar lá na vila. É muita loucura. A pessoa tem que ser muito maldosa. Eu não tenho nem palavras. Eu prefiro não ficar muito indignada com essas coisas, porque eu quero meu coração limpo”, declarou.

Quando questionada sobre sentir medo das ameaças, ela disse que é muito corajosa e tem fé de que Deus a protegeria. “Eu posso até ter receio, mas eu não coloco isso na minha mente. Eu tenho um coração limpo e minha mente também.”

Henrique da Silva nega as acusações contra a mãe
Henrique da Silva nega as acusações contra a mãe Henrique da Silva nega as acusações contra a mãe

Henrique da Silva, filho de Isabel, disse estar triste com todos esses ataques à mãe, mas isso não é o mais importante neste momento. “Nós não temos tempo para nos preocupar com isso aqui. Estamos vivendo uma calamidade. Todos os nossos grandes amigos, todos os que migraram para cá na mesma época sofreram. Somos uma grande família.”

O homem acredita que as pessoas se aproveitam de momentos difíceis para gerar fake news e que a mãe é uma pessoa boa, que jamais aumentaria os preços dos produtos durante a tragédia.

"A minha mãe é uma pessoa que sobressai pela sinceridade dela, pela humanidade. Quando eu era mais jovem, ela me disse: 'Henrique, vou te ensinar uma coisa que quando você crescer você vai ver que vai fazer total diferença: humano é uma classificação de espécie, mas seja humano. O ser humano, ao pé da letra, é nobre'.”

Isabel aponta a responsabilidade que as pessoas que espalharam esses boatos têm e exige uma retratação. “Eu estou completando 70 anos. Eu zelei pelo meu nome esses anos todos. Eu quero que essas pessoas se reportem, que vão a público, em todas as redes sociais, e falem realmente o ocorrido", pediu a mulher.

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