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Refletindo Sobre a Notícia
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Qual é o impacto das atitudes de Casares e Belmonte para a violência no futebol

Dirigentes perderam o controle ao não concordar com resultado da partida contra o Palmeiras no último domingo

Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury|Do R7 e Ana Carolina Cury


Julio Casares, presidente do São Paulo
Julio Casares, presidente do São Paulo Edu Garcia/R7 - 22.01.2023

O presidente do São Paulo, Julio Casares, deu um show de descontrole ao falar sobre a arbitragem durante o jogo contra o Palmeiras no domingo, e dirigiu palavras hostis ao técnico adversário, Abel Ferreira. Mencionou ter ouvido insultos direcionados a Calleri, atacante do São Paulo. E, em suas considerações finais, prometeu tomar medidas jurídicas.

Além disso, criticou as decisões do árbitro Matheus Delgado Candançan. Ao descrever a atuação dele, utilizou termos pesados. O juiz do jogo em questão relatou que os dirigentes do São Paulo o xingaram muito. 

O clássico terminou empatado em 1 a 1. Carlos Belmonte, diretor de futebol do São Paulo, também perdeu o controle e foi gravado xingando Abel Ferreira de "português de m...", após o fim da partida. O Palmeiras se pronunciou na segunda-feira sobre o ocorrido.

"A Sociedade Esportiva Palmeiras estuda as medidas legais cabíveis contra o diretor de futebol do São Paulo, Carlos Belmonte, flagrado xingando de forma xenófoba o técnico Abel Ferreira após o jogo de ontem, no Morumbis. Não há justificativa para as palavras baixas e preconceituosas escolhidas pelo dirigente são-paulino com o intuito de depreciar um profissional íntegro e vitorioso, que vive no Brasil há mais de três anos", inicia a declaração.

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O clube cita também o incentivo à violência. "O Palestra Itália nasceu pelas mãos de imigrantes que resistiram à intolerância para que o clube não morresse (...) Repudiamos, portanto, qualquer tipo de discriminação, quanto mais ofensas que incitem a aversão a estrangeiros. Não é segredo que o futebol brasileiro atravessa um momento perigoso, com casos cada vez mais frequentes de violência (...) . Neste cenário complexo e desafiador, cabe a quem comanda o compromisso com a responsabilidade, não com o ódio".

O São Paulo não concedeu espaço para entrevistas coletivas à comissão técnica do Palmeiras, liderada por Abel Ferreira, e justificou a decisão como uma questão de reciprocidade, por não considerar adequado o espaço destinado às entrevistas no Allianz Parque.

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Palmeiras afirma que considera processar dirigente do São Paulo por xenofobia contra Abel Ferreira
Palmeiras afirma que considera processar dirigente do São Paulo por xenofobia contra Abel Ferreira Reprodução

Violência que gera violência

Não vale entrar nos detalhes da arbitragem. Afinal, todos os jogos, desde que o futebol é futebol, geram críticas sobre as decisões técnicas. 

A cultura, especialmente no cenário paulista, é frequentemente marcada por conflitos. Enquanto não houver uma punição severa para atitudes como essas, a violência somente se espalhará. 

Infelizmente, essas reações não são casos isolados. Por isso, a reflexão não se restringe às palavras de Casares e Belmonte, mas também à todas as ações semelhantes que ocorrem semanalmente e só incentivam as torcidas a se odiarem ainda mais. As mortes de torcedores nos últimos anos são apenas a ponta do iceberg, e revelam as consequências da falta de equilíbrio e diálogo entre os representantes de cada clube. Tudo isso nos faz questionar: até quando seremos obrigados a tolerar a violência no futebol?

Quando a razão é colocada de lado, a energia é direcionada apenas pelos sentimentos, e nesse cenário, o raciocínio sai de cena. A agressividade não pode ser justificada em nenhuma circunstância, seja ela realizada por jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes, jornalistas ou torcedores.

Existe uma percepção errônea de que no futebol "tudo é permitido dentro de um estádio". Essa mentalidade precisa mudar. O esporte deve ser um ambiente seguro e respeitoso para todos, e cabe a todos nós, como sociedade, trabalhar para garantir isso.

Casares critica comissão técnica do Palmeiras e arbitragem
Casares critica comissão técnica do Palmeiras e arbitragem Reprodução

Portanto, reitero que não podemos confiar apenas no bom senso e exemplo dos clubes e técnicos. É imprescindível que haja leis severas que punam com rigor toda forma de agressão, que não apenas ameaça a segurança dos envolvidos, mas também mancha a reputação do esporte.

Portanto, para promover um ambiente seguro e saudável nos estádios, é necessário mais do que discursos. Governo, clubes, torcedores, autoridades e instituições esportivas devem se unir para erradicar a cultura do ódio e ensinar às pessoas o verdadeiro espírito do futebol.

A violência não pode ter espaço em qualquer modalidade esportiva.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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