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Refletindo Sobre a Notícia
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Ausência de socorro imediato para jovem reforça a cultura do estupro

Em Belo Horizonte, amigo chama carro de aplicativo para jovem embriagada, e motorista a deixa na calçada, inconsciente. Momentos depois, ela é abusada sexualmente

Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury|Do R7 e Ana Carolina Cury


Um crime bárbaro que aumenta a cada ano. O caso da jovem de 22 anos abusada após ser deixada desacordada na calçada do prédio onde mora, em Belo Horizonte, infelizmente, se soma aos 822 mil estupros que acontecem todo ano no Brasil.

Era para ter sido apenas uma noite de diversão. No sábado (29), a vítima foi ao show do cantor de pagode Thiaguinho, realizado no Mineirão. Ela conta que não estava sozinha, estava com amigos e ingeriu bebidas alcoólicas. Um desses amigos chama um carro de aplicativo e compartilha o trajeto da viagem com o irmão dela, que está em casa. Porém, um detalhe grave: ela é deixada sozinha no veículo e está extremamente embriagada.

Jovem foi deixada desacordada na porta de casa e em seguida foi violentada
Jovem foi deixada desacordada na porta de casa e em seguida foi violentada

Ao chegar à residência, câmeras de segurança mostram o motorista do aplicativo tentando interfonar no apartamento onde estaria o irmão da jovem. Sem sucesso, ele decide abandoná-la, inconsciente, na calçada. Momentos depois, outro homem se aproxima e a leva do local. Conclusão: a jovem foi estuprada e, no dia seguinte, socorristas do Seviço de Atendimento Móvel (Samu) foram acionados por moradores para ajudá-la.

A polícia de Belo Horizonte ouviu, nesta quinta-feira (3), a jovem, seu irmão e o amigo que chamou o carro de aplicativo que a levou até a porta da casa. Em nota, a Polícia Civil afirmou que outros detalhes só serão divulgados após a conclusão do inquérito. O suspeito do estupro foi identificado como Wemberson Carvalho da Silva, de 47 anos, e foi preso.

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Cuidado com o outro

Esse é um dever de todo cidadão. Quando alguém passa mal, é necessário pedir socorro médico ou ir até um hospital mais próximo e não abandonar a pessoa à própria sorte. A atitude de deixar uma mulher desacordada, na madrugada e ao relento, é um péssimo exemplo de humanidade.

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Do ponto de vista jurídico, há o que chamamos de abandono de incapaz. Do ponto de vista humano, há o que eu chamo de bom senso. Ainda não está claro se o condutor será responsabilizado; porém, este caso teve uma sucessão de erros que precisam ser mencionados.

Que amizade deixa a outra sozinha, em um momento de risco? Ingenuidade? Talvez. Descaso? Não sei. Não estou aqui para julgar, mas dizer que o número assustador de estupros no país clama por atenção e políticas de combate.

Mais que palavras

Não existe uma receita mágica para acabar com os estupros. Existem leis, existe punição. Mas a verdade é que nada disso tem sido suficiente para diminuir os casos. Então, é preciso fazer mais, muito mais. 

Ato contra o abuso sofrido pelas mulheres
Ato contra o abuso sofrido pelas mulheres

O governo precisa investir em políticas públicas reais e eficientes. A conscientização também é essencial para que exista uma rede de apoio e de proteção. 

Além disso, é urgente que aconteça uma reeducação de pensamento. A culpa nunca é da vítima. Enquanto a sociedade e o governo não viverem isso na prática, nada mudará. 

Segundo a ONU Mulheres, a cultura do estupro (que é o costume que pessoas têm de culpar as vítimas de violência sexual e justificar o comportamento sexual agressivo dos homens) é real e preocupante.

Faça sua parte

Muitos brasileiros ainda culpam a mulher, acham normal as cantadas de rua, a objetificação etc. A mudança precisa acontecer, antes que seja tarde demais. Afinal, esse é um problema de todos nós!

A proteção e a punição dependem de mim e de você. Por isso, sempre denuncie, seja de forma anônima, no 180, 190 ou em uma delegacia mais próxima. Outra opção é ligar para o Disque 100. 

E lembre-se: nunca deixe uma mulher vulnerável. É nosso dever cuidar uns dos outros.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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