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Refletindo Sobre a Notícia
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Corpo em lotérica e falha na detecção de febre maculosa trazem alerta

Casos recentes reforçam a importância de investir na boa convivência em sociedade

Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury|Do R7 e Ana Carolina Cury


Duas informações chamaram a atenção deste blog na última semana. A primeira foi a tragédia noticiada pelo R7, em que o corpo de um idoso, Martinho Lopes, que morreu dentro de uma lotérica em São José dos Campos, no interior de São Paulo, na segunda-feira (5), não impediu as pessoas de circularem pelo local para fazer suas apostas ou pagar suas contas.

Um vídeo mostra o estabelecimento funcionando normalmente com o cadáver ao lado. Segundo informações apuradas pela Record TV, o homem passou mal enquanto estava na fila e faleceu no local. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou a ser acionado para o resgate, mas a equipe constatou que a vítima teve um mal súbito.

Corpo em agência lotérica não impede movimento de clientes
Corpo em agência lotérica não impede movimento de clientes

O outro acontecimento está relacionado às recentes mortes por febre maculosa. Uma fatalidade, claro, mas nesta quarta-feira circula a informação de que a dentista Evelyn Karoline Santos, de 28 anos, com o marido, Marcelo Borges, de 38 anos, buscou ajuda em três hospitais antes de a doença evoluir para óbito. Os médicos teriam dito à jovem que ela estava com dengue e que não era nada "alarmante".

Insensibilidade?

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Confesso que demorei para descobrir o nome do idoso morto na lotérica. Todos o trataram apenas como "homem". Mas ele tinha nome, família e amigos. E a cena chocante nos faz pensar que, mesmo com Martinho lá, caído, já morto, a maioria seguiu sua rotina. 

Já em relação a Evelyn, seu marido declarou que, quando perguntou o que a esposa poderia ter, além da dengue, um dos médicos disse que ela não tinha nada grave e completou: "Pode ser muita coisa. Vai para casa e faz repouso". Porém, após sua morte, o Instituto Adolfo Lutz confirmou que a causa foi febre maculosa, doença transmitida pelo carrapato-estrela ou micuim, infectado pela bactéria do gênero Rickettsia.

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Claro que não dá para culpar os médicos nem os hospitais. Erros acontecem todos os dias. Mas o questionamento ao ler que ela passou por três hospitais é: e se tivessem investigado mais? Deixado em observação?

Marido de Evelyn revela que vítima recebeu diagnóstico errado e foi orientada a ficar em casa
Marido de Evelyn revela que vítima recebeu diagnóstico errado e foi orientada a ficar em casa

Uma atenção individual que, infelizmente, está cada vez mais difícil de encontrar. Seja nas ruas, no trabalho, nas famílias, nos hospitais.

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Olhar diferenciado

A atitude das pessoas na lotérica, por exemplo, só reforça quão individualista a sociedade está. E comprova que o ser humano tende a agir com mais frieza quando a dor não é sentida por ele. Será que se fosse o corpo do pai ou da mãe de alguém ali o comportamento seria o mesmo?

Ações gentis têm se tornado raras e ganham destaque nos noticiários, quando deveriam ser rotina. Amar ao próximo tem perdido espaço para o egoísmo ou o egocentrismo; afinal, muitos têm vendido a imagem de que é preciso pensar apenas em si, em mais ninguém. Você, você e apenas você.

Infelizmente, devido a esse egoísmo, negligências ocorrem todas as semanas. É muito fácil culpar o outro para não ter que olhar para as próprias atitudes. Mas acredito que é possível mudar essa realidade, sim, começando em cada um, no próprio "mundo individual", com família, amigos, colegas de trabalho, clientes, pacientes etc.

E expandir isso, com a seguinte reflexão: se fosse alguém que você ama muito passando por tal situação, qual reação você teria? Que atenção daria? 

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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