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Refletindo Sobre a Notícia
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Educar os filhos ou reeducar os pais? Vídeos expõem atitudes perigosas

Publicações que tentam ser engraçadas ao assustar crianças podem trazer péssimos impactos 

Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury|Do R7 e Ana Carolina Cury


Que educar um filho não é uma missão fácil, acredito que todos saibam. Mas, nesse caminho, nos deparamos com muitas questões revoltantes. Recentemente, alguns vídeos polêmicos que mostram pais expondo os filhos em algumas situações constrangedoras têm viralizado no TikTok e chamado a atenção de especialistas.

"Vou bater na boneca para ver a reação dela [da filha]", afirma uma publicação. Nas imagens divulgadas, a menina está claramente assustada ao ver o pai dar chineladas em sua boneca, sob a premissa de ensiná-la a não fazer isso. Em outro post, o progenitor fecha a porta em um pepino e, logo após a batida da porta cortá-lo, puxa a mão do filho para tentar fazer o mesmo.

Com roupagem de "brincadeira", esses virais afirmam que o intuito é ensinar "como educar os filhos". É óbvio que pela idade que têm, tais crianças não perceberam que era uma forma "engraçada" de mostrar que não se deve bater nos pais ou fechar a porta na mão.

Vídeos de pais com filhos - com roupagem de 'engraçados' - geraram repercussão
Vídeos de pais com filhos - com roupagem de 'engraçados' - geraram repercussão

"Falar que é apenas uma brincadeira pode ser insuficiente porque, dependendo da idade, a criança não vai conseguir interpretar a nível emocional o significado daquela atitude do pai, porque sua inteligência opera a nível concreto, e ela viu concretamente o pai ou a mãe bater ou fazer um mal. Essa mensagem é muito mais real, verdadeira e forte do que a palavra 'foi brincadeira'", explica a psicopedagoga Cassiana Tardivo.

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Infância não é brincadeira

Para a especialista em educação infantil, esses vídeos são extremamente prejudiciais, afinal, a criança está em fase de desenvolvimento e aprende muito por meio da influência das relações e vivências. "Então, quando esse pequeno passa por esse tipo de situação que mostra um ato violento, a mãe ou o pai põe em xeque a própria segurança que a criança tem deles, isso abala a nível inconsciente, tornando o vínculo de apego e segurança com os pais vulnerável", acrescenta.

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A verdade é que: o cuidado, a proteção e o suprir das necessidades melhoram o vínculo entre pais e filhos. A criança deve aprender que os pais são fonte de segurança total. E, quando isso é abalado, ela perde a confiança neles.

Por isso, Cassiana afirma que, muitas vezes, os pais precisam se reeducar, antes de educar os filhos. "Eles precisam aprender uma informação: crianças nascem sem repertório de comportamento, sem repertório emocional, tudo isso se desenvolve na vivência. Isso deve levar mães e pais a serem prudentes e cautelosos com as experiências que oportunizam aos filhos. Toda experiência é fonte imediata de aprendizado, é por onde as crianças captam a realidade, interpretam e dão significados emocionais."

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Pai bate na boneca da filha dizendo estar ensinando a não bater
Pai bate na boneca da filha dizendo estar ensinando a não bater

Se os pais querem usar exemplos para mostrar que bater a porta machuca o dedo, por exemplo, por que não fazer diferente? Com menos intensidade? "Além disso, não dá para ficar teatralizando pra tudo, pais que atemorizam demais os filhos podem gerar neles fontes para transtorno de ansiedade generalizada e até pânico. O maior desafio atualmente é pais que se inclinam em tempo cronológico e atenção real, ou seja, se interessam verdadeiramente", pontua Cassiana.

Quem investe tempo e interesse consegue maior conexão e, consequentemente, as crianças aprendem mais rápido a confiar e a obedecer.

"Não se enganem: olhos e ouvidos são portas! As portas de seus filhos estão abertas a quê? E qual papel você, enquanto pai ou mãe, tem desempenhado na evolução deles?", finaliza a psicopedagoga.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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