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Refletindo Sobre a Notícia
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Imagens chocantes de golfinhos e baleias assassinados geram revolta

Prática comum na Dinamarca causa indignação entre especialistas 

Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury|Do R7 e Ana Carolina Cury


Conforme noticiado pelo R7mais de 500 golfinhos e baleias foram mortos por pescadores nas ilhas Faroe, na Dinamarca, em maio deste ano — prática que, infelizmente, é comum na região e é chamada de "grindadrap" ou "grind". Nela, os caçadores atraem baleias-piloto e golfinhos, cercam os animais, que ficam encalhados, e os assassinam a facadas.

São imagens fortes e revoltantes que viram manchetes todos os anos. De acordo com uma matéria do jornal britânico The Guardian, a ONG ambientalista Sea Shepherd chegou a tentar evitar a matança, mas foi impedida pela Marinha da Dinamarca.

Pescadores assassinam mais de 500 golfinhos
Pescadores assassinam mais de 500 golfinhos

É triste saber dessa realidade; porém, é necessário levantar a discussão para fomentar a mudança. São vários os problemas relacionados à caça de golfinhos e baleias nas ilhas Faroe.

"Essa caça é cruel e desnecessária. Os animais são mortos de forma estressante, violenta e dolorosa. As baleias e os golfinhos possuem um sistema nervoso altamente desenvolvido, podem se comunicar entre eles; por isso, uma morte prolongada somente por deleite dos espectadores causa muito sofrimento a essas espécies, que são inteligentes e sensíveis", observa a doutora em ciência ambiental e especialista em ecologia antártica Francyne Elias-Piera.

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Para o médico-veterinário e doutor em ecologia de ecossistemas Yhuri Cardoso Nóbrega, outra gravidade é a interferência no equilíbrio ecológico dos sistemas marinhos. "Ações como essa provocam a extinção de diversas espécies de baleias ao redor dos oceanos. Devemos recriminar e combater porque, sem sombra de dúvidas, não contribui em nada para a proteção dos oceanos; muito pelo contrário, gera um fator significativo no processo de extinção de diversas espécies. E, quando perdemos um desses animais, é perdido também todo o serviço ecossistêmico que estava associado a ele."

Diferença gritante

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Muitas pessoas que vivem na região apoiam a tradição da caça com o argumento de que baleias e golfinhos são usados para alimentar a população das ilhas Faroe há séculos. "Porém, a carne desses animais contém altos níveis de mercúrio e outros contaminantes, o que pode ser prejudicial para a saúde humana", lembra Francyne.

Existe uma enorme diferença entre caçar para sobreviver e caçar por esporte. A caça para a sobrevivência é aquela praticada por necessidade, para obter alimento ou recursos essenciais para a vida. "Ela geralmente é feita de forma seletiva, sustentável e respeitosa com os animais e o meio ambiente, quando não há alternativas disponíveis nem risco para as espécies caçadas. No entanto, a caça esportiva, que é realizada por prazer, aventura, entretenimento ou troféu, geralmente não está associada a necessidades básicas de sobrevivência e é frequentemente feita de forma indiscriminada, predatória e cruel com os animais", explica a doutora em ciência ambiental.

Caça é considerada tradição, mas criticada por especialistas
Caça é considerada tradição, mas criticada por especialistas

Então, nada justifica causar morte e dor por diversão ou cultura. "Não falta comida para dinamarqueses e faroenses há muito tempo. Esse massacre sangrento e cruel é tão inútil quanto as touradas em países de língua hispânica ou as caçadas esportivas na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia", adverte a pesquisadora e especialista em políticas públicas para a sustentabilidade Laura Silvia Valente de Macedo.

Prazer doentio

A relação do ser humano com os animais e o meio ambiente está cada dia mais problemática. "Matar apenas por prazer é um crime contra a natureza. Devemos considerar o impacto de nossas ações e a importância de tratar os animais com respeito, considerando seu bem-estar e a conservação das espécies. O ser humano ainda pensa que ele não faz parte do meio ambiente, que ele não está conectado, mas sim isolado, no topo de tudo, como dominador do ecossistema", reforça Francyne.

Atitudes assim nos fazem refletir como tem sido a relação do homem com a natureza e com os animais. "E já temos colhido os frutos disso em vários setores: ambiental, econômico, sanitário, como o coronavírus, por exemplo, que teve sua raiz a partir da relação negativa que os seres humanos têm com o meio ambiente. Tudo isso traz a responsabilidade de pensar no que podemos fazer para contribuir para a proteção das espécies ameaçadas de extinção, com os ecossistemas e com as espécies silvestres no nosso país", conclui Yhuri Cardoso Nóbrega

Além de revelar o lado mais primitivo de uma pessoa, isso reforça quanto o ser humano ainda precisa aprender com a natureza e com os animais. 

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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