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Refletindo Sobre a Notícia
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Vídeo de menino chorando em "brincadeira" de Halloween causa indignação

Mesmo vendo o desespero da criança, os adultos não pararam a gravação. Repercussão traz reflexões importantes a respeito do incentivo à celebração

Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury|Do R7 e Ana Carolina Cury


Para alguns é apenas uma celebração, para outros é uma influência perigosa. Nesta época do ano, fantasias de terror e enfeites de mortos chamam a atenção, especialmente de crianças e adolescentes. Estamos falando do Halloween.

Apesar de a sociedade incentivar o evento, muitas crianças não se sentem nada à vontade com ele. Recentemente, um vídeo viralizou na web e causou revolta em pais e especialistas. Nele, pessoas fantasiadas de monstros assustam duas crianças. O menino entra em desespero e chora, mas os adultos não interrompem a "brincadeira". 

"O que você sente assistindo a esse vídeo? De que forma essa brincadeira contribui para o desenvolvimento saudável? Precisamos analisar com um pouco mais de crítica. Grande parte dos jogos, filmes, séries e vídeos incentiva a cultura da morte atualmente e nos dessensibiliza para a vida. Estamos rindo da desgraça alheia? Combatemos o preconceito e o bullying, mas deixamos a cultura da morte correr solto? O que esses movimentos produzem nos nossos filhos? Medo, ansiedade, pânico, terror", questiona a psicopedagoga Cassiana Tardivo.

De fato, o Halloween é uma festa que propicia cada vez mais experiências com o terror, por meio de falas e discursos sobre a morte.

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Origem complexa

O historiador e professor de ciências humanas Ashley Trindade afirma que, apesar de sua aparência inofensiva, a data tem uma raiz. "Existem algumas versões para a origem do Halloween, mas as mais comuns são a religiosa e a celta. Por volta do século 5 antes de Cristo, era costume do povo celta, que vivia ao norte do Reino Unido, no continente europeu, sacrificar animais em fogueiras para os mortos, além de oferecer banquetes; daí a origem das guloseimas e dos doces".

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Menino se desespera em "brincadeira" de Halloween
Menino se desespera em "brincadeira" de Halloween

Para o povo celta, o ano começava no dia 1º de novembro; na noite de 31 de outubro, ele comemorava o chamado festival de Samhaim. "Os celtas acreditavam que nesse dia os mundos dos mortos e dos vivos se uniam. Então, eles pensavam que as ofertas de comida e velas serviam para guiar esses espíritos de volta ao seu 'plano'", detalha.

Com o passar dos anos a festa ganhou mais significados e ficou conhecida mundialmente. Hoje, é um evento tradicional nos Estados Unidos. Celebrado em 31 de outubro, o Halloween também faz parte das festas brasileiras. Conforme sabemos, a tradição foi se estabelecendo e hoje em dia muitos pais vestem as crianças com fantasias de bruxa, fantasma, zumbi, diabo e outros personagens do gênero.

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Influência real

Muitas pessoas acreditam que o Halloween perdeu seu significado e se tornou uma data festiva e comercial. Acham que não há problema algum em participar, já que não estão fazendo nada além de vestir uma fantasia e se divertir.

Entretanto, a psicopedagoga Cassiana Tardivo explica que não é bem assim, principalmente quando falamos do desenvolvimento das crianças: "Os pais normalmente evitam que o filhos tenham acesso a conteúdo de terror, só que numa festa de Halloween eles podem ter uma 'faca' de plástico atravessada na cabeça? É contraditório... Muitos dizem que não tem nada a ver, que em sua época brincavam de Halloween e não sofreram mal nenhum. Anos atrás, porém, não tínhamos plataformas de streaming e smartphones. Hoje o acesso e o tempo de exposição são maiores. É preciso avaliar tudo isso".

Assim, a temática é considerada prejudicial porque estimula vivências perigosas. Quando pensamos em festas, passatempos, desenhos, séries e filmes, precisamos entender que as crianças aprendem e desenvolvem seus valores, crenças e emoções com base no que observam e experimentam.

"E como pais precisamos pensar se o que proporcionamos aos nossos filhos estimula bons aprendizados ou não. Se não temos essa clareza, caímos no senso comum e aceitamos todo tipo de modismo. E aí eu pergunto: o que será da próxima geração com pais agindo assim? Pais precisam ser críticos, conscientes e corajosos. Pais precisam ter coragem para se posicionar no meio de outros pais, inclusive na escola. Só assim conseguiremos dar um basta a modismos vazios e mórbidos", conclui a especialista.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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