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Alerj poderá livrar da cadeia deputados acusados de corrupção

Três parlamentares tiveram prisão decretada na tarde desta quinta-feira

Rio de Janeiro|Fernando Mellis, do R7

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Picciani recebeu cerca de R$ 50 milhões, diz MPF
Picciani recebeu cerca de R$ 50 milhões, diz MPF

Mesmo com a prisão decretada pelo TRF-2 (Tribunal Federal Regional da 2ª Região), os deputados estaduais fluminenses Jorge Picciani, presidente da Casa, Paulo Melo e Edson Albertassi poderão ser salvos pelos colegas na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Os três, todos do PMDB, são investigados por receber propina de empreiteiras e também de empresários do setor de transporte coletivo.

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“Os diversos episódios ilícitos narrados ao longo da presente peça, alguns inclusive em plena fase de execução, comprovam que os vínculos associativos entres os deputados estaduais Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi continuam vigentes e que o usufruto de bens e valores originados de vantagens indevidas obtidas ao longo das últimas décadas são mantidos ocultos ou dissimulados aos olhos da fiscalização e do Sistema Financeiro Nacional”, sustenta o MPF-RJ (Ministério Público Federal no Rio de Janeiro).

A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), de que cabe ao parlamento a palavra final sobre o afastamento de seus membros, deve dar ainda mais força à Alerj para manter os três deputados fora da cadeia.

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O professor de direito penal da USP (Universidade de São Paulo) Alamiro Velludo Salvador Neto diz que a Assembleia Legislativa não precisa autorizar o processo contra seus membros, assim como o Congresso, mas tem poder de impedir o julgamento enquanto durar o mandato do parlamentar.

— Essa decisão [de suspender a prisão] por parte do parlamento, ainda que estadual, seria um fator que garantiria um certo balanceamento de poderes. Agora, também é verdade que no momento o Brasil questiona de maneira geral a ideia do foro privilegiado e maiores garantias judiciárias aos políticos. É algo, no mínimo, questionável pela opinião pública, ainda que juridicamente sustentável.

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Movimentações milionárias

O esquema de corrupção dos empresários de transporte, encabeçado pela Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro), movimentou R$ 348,7 milhões entre 2010 e 2016, conforme consta no despacho do desembargador federal Abel Gomes.

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A investigação descobriu que somente o presidente da Alerj recebeu do grupo R$ 49,9 milhões. Para efeito de ilustração, seria como se Picciani tivesse embolsado R$ 32 mil por dia entre 2010 e 2015. Vale lembrar que, como deputado, o rendimento mensal líquido dele é de R$ 18,7 mil.

Paulo Melo recebeu da Fetranspor R$ 38,6 milhões. A Procuradoria sustenta que Edson Albertassi recebeu um pagamento inicial de R$ 60 mil da federação e que foram mantidas entregas de dinheiro mensais desse valor entre março de 2012 e dezembro de 2014.

Picciani e Paulo Melo ainda receberam de empreiteiras. A Odebrecht pagou ao presidente da Alerj R$ 7 milhões, sendo R$ 2,5 milhões no Brasil e o restante no exterior, pagos em euros entre 2010 e 2011.

O deputado Paulo Melo teria recebido dinheiro da Odebrecht em duas ocasiões, totalizando R$ 750 mil. A investigação ainda apontou que a dupla recebeu, por ordem do ex-governador Sérgio Cabral, R$ 30,3 milhões da empreiteira.

Outro lado

Em nota, o presidente da Alerj, Jorge Picciani, negou as acusações. "O tempo vai se encarregar de desmascarar essa covardia em curso. A tentativa de me envolver não pode ser maior que os fatos", escreveu.

O deputado Paulo Melo disse que está à disposição da Justiça. "Vou contribuir com as investigações. Não tenho nada a esconder. Minha vida política sempre foi muito clara, todas as contribuições recebidas foram legais e declaradas na justiça Eleitoral", declarou em nota.

O deputado Edson Albertassi diz que as acusações serão contestadas pela defesa e que ainda não teve acesso ao inquérito. "Albertassi confia na Justiça e está à disposição para esclarecer os fatos", diz nota enviada pela assessoria dele.

A Fetranspor informou que "permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários às investigações".

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