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Mais de 36 mil mulheres foram vítimas de violência psicológica no Rio, aponta 'Dossiê Mulher'

Os dados são do Instituto de Segurança Pública e se referem a 2021

Rio de Janeiro|Da Agência Brasil

Dados foram divulgados no Dia Internacional da Mulher
Dados foram divulgados no Dia Internacional da Mulher Dados foram divulgados no Dia Internacional da Mulher

As autoridades policiais fluminenses registraram 36,8 mil casos de violência psicológica contra mulheres no estado do Rio de Janeiro, em 2021. A informação está no "Dossiê Mulher 2022", que traz dados de violência contra a mulher no ano anterior e que foi divulgado nesta quarta-feira (8) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão do governo fluminense responsável pela produção de estatísticas criminais.

O número referente a 2021 representa um aumento de 18,15% em relação a 2020 (31,1 mil casos). Essa é a primeira vez que esse grupo de crimes supera o de violências físicas, desde 2014.

Os crimes de violência psicológica incluem, por exemplo, ameaças, constrangimentos ilegais e registros não autorizados da intimidade sexual. Duas novas tipologias criminais também foram incluídas no Código Penal em 2021 e começaram a ser registradas pelo "Dossiê Mulher": os crimes de perseguição e de violência psicológica propriamente dito.

O crime de violência psicológica propriamente dito consiste, por exemplo, em causar dano emocional à mulher, que a prejudique. Foram registrados 666 casos no estado em 2021.

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“É muito comum, quando a gente lê os registros, a gente ver exemplos do homem que o dia inteiro diz que a mulher não serve mais para nada, que, se ele largar ela, ninguém mais vai querer. Isso vai minando o amor-próprio da mulher e faz com que ela se torne mais envolvida no ciclo da violência”, afirmou a presidente do ISP, Marcela Ortiz.

Já o crime de perseguição afetou 604 mulheres. Também conhecido pela palavra da língua inglesa stalking, consiste em perseguir alguém de forma incessante, com ameaça à integridade física e psicológica da vítima, além de invadir sua privacidade e liberdade. As mulheres representaram 96% das vítimas desse tipo de crime no Rio de Janeiro em 2021.

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Segundo o "Dossiê Mulher", 87,1% dos perseguidores eram companheiros ou ex-companheiros. Cerca de 59% dos casos ocorreram na residência das vítimas.

“É uma forma de violência na qual o sujeito invade repetidamente a esfera da vida privada da vítima, de forma a restringir sua liberdade ou atacar sua privacidade ou reputação. O resultado é um dano temporário ou permanente [na vítima]. Engana-se quem acha que esse tipo de lesão é menos grave que as lesões físicas, porque muito possivelmente vão acompanhar as mulheres para o resto de suas vidas”, destacou Marcela Ortiz.

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Outras violências

O "Dossiê Mulher" reporta ainda que 109,2 mil mulheres foram vítimas de violência em 2021, das quais quase 35 mil sofreram violência física (assassinatos e lesões corporais).

Entre os casos de violência múltipla, 36% envolviam violência moral (crimes de injúria, calúnia e difamação) e psicológica, 22,8%, violência física e psicológica, e 13,8%, física e moral.

Também houve o registro de 85 casos de feminicídio, cometidos em grande parte por pessoas conhecidas. Segundo o dossiê, 80% dos assassinatos foram praticados por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

Além disso, foram registrados 6.255 casos de violência sexual (estupro, tentativa de estupro, assédio sexual, importunação sexual etc.) contra mulheres, um aumento de 10,8% em relação a 2020. Nos 4.429 casos de estupro, mais de dois terços das vítimas em 2021 tinham menos de 18 anos. As crianças de até 11 anos somaram 43,3% dos casos.

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