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Lava Jato da PM: Ex-coronel cita reforma em Secretaria da Segurança

José Adriano Filho tenta acordo de delação após enviar carta à Corregedoria

São Paulo|Gustavo Basso, do R7


Sede da SSP, na rua Libero Badaró, no centro de São Paulo
Sede da SSP, na rua Libero Badaró, no centro de São Paulo

O ex-tenente-coronel da PM José Afonso Adriano Filho citou, em carta enviada à Corregedoria da corporação obtida na íntegra pelo R7,uma suposta reforma da sede da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) que teria sido bancada com verba do departamento onde, segundo denúncia do Ministério Público, um esquema de corrupção que pode ter causado um prejuízo de mais de R$ 300 milhões entre 2005 e 2012.

Na carta, Adriano sugere que a Corregedoria questione o coronel da reserva João Cláudio Valério se ele determinou que fossem feitas reformas na sede da SSP custeadas pelo DSA-CG (Departamento de Suporte Administrativo do Comando-Geral). Valério foi chefe de gabinete da SSP, coordenando o orçamento da pasta, entre março de 2008 e abril de 2009. Em 2011, Valério assumiu a direção do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), onde permaneceu até fevereiro de 2015.

Carta do ex-coronel da PM José Afonso Adriano Filho questiona ex-chefe de gabinete da SSP (Secrearia de Segurança Pública)
Carta do ex-coronel da PM José Afonso Adriano Filho questiona ex-chefe de gabinete da SSP (Secrearia de Segurança Pública)

Questionada sobre o caso na manhã de terça-feira (3), a SSP afirmou na tarde desta quarta-feira, por meio de sua assessoria de imprensa, "que a empresa Construworld LTDA não realizou nenhuma reforma na sede da SSP no período de 2005 a 2012", e que "o caso citado pela reportagem está sob sigilo de justiça".

A nota enviada diz ainda que: "A SSP não compactua com qualquer desvio de conduta. Todos as denúncias contra policiais, civis ou militares, são rigorosamente investigadas pelas respectivas corregedorias".

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A pasta não informa, no entanto, se foi feita alguma reforma em sua sede entre 2005 e 2012, independentemente da empresa responsável.

O esquema denunciado pela Promotoria ao TJM (Tribunal de Justiça Militar) envolvia fraudes em licitações para prestação de serviços e aquisição de materiais junto à empresa Construworld LTDA, da qual Adriano era sócio informal. Expulso da Polícia Militar em agosto deste ano após decisão do TJM e detido preventivamente desde março no presídio Romão Gomes, o ex-oficial enviou a carta à Corregedoria em que critica o fato de ter sido apontado como o único responsável pelo esquema. Na carta, ele sugere que a Corregedoria questione outros 19 oficiais sobre possível participação no caso. 

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O ex-coronel tenta agora fechar um acordo de delação premiada junto ao MP.

Mimos e viaturas incompletas

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Na terça-feira (5), o R7 revelou que, na carta à Corregedoria, o ex-oficial cita mimos ao alto comando, compra de viatura incompletas e distribuição de cheques

Os mimos são citados em sugestão de questionamento ao coronel da reverva Marco Antonio Augusto. Segundo o Luiz ntonio Nunes Filho, advogado de Adriano, se tratariam de "presentes". O ex-coronel pede que a Corregedoria pergunte a Augusto o que aconteceu com tablets e capas de colete que teriam sido comprados por cerca de R$ 21 milhões e descartados. Pergunta ainda se o coronel observou "mimos ou comportamentos diferenciados" a membros do alto comando, e se observou irregularidades como reformas custeadas pelo DSA-CG a outras unidades da PM.

Já ao coronel da reserva Marcus Vinicius Valério, Adriano sugere que se questione se, quando estava lotado na DAL (Diretoria de Apoio Logístico), teve conhecimento de que o órgão recebeu viaturas Fiat Palio Weekend básicas, mas pagou pelo modelos ELX, completo. Adriano pede que a Corregedoria pergunte se Valério autorizou o recebimento do básico, apesar do veículo completo constar nas notas fiscais; se sabe a diferença de preço entre um modelo e outro, e quantos veículos foram adquiridos.

A todos os citados, com exceção de Cassio Soares, o ex-oficial sugere que a Corregedoria questione se receberam cheques ou dinheiro para "serviços diversos"

Defesa espera acordo

O advogado do ex-oficial afirma que Adriano não fez acusações, mas sugeriu perguntas. "Adriano escreveu uma carta de próprio punho que não contempla acusações, mas perguntas. Elas são abertas, mas direcionadas. Após os citados responderem as questões é que ele se dispõe a se manifestar", diz o advogado.

Segundo ele, somente após fechar o acordo de delação premiada é que serão repassadas as informações que sustentam as questões feitas na carta.

"Quem avaliará a posse e a relevância das informações será o MP", diz o advogado. "Mas o fato concreto que temos é que apenas meu cliente foi investigado na sindicância sobre fraudes em licitações. O relatório da sindicância mostra que ela foi concluída sem a oitiva de 12 oficias."

Na segunda-feira (2) o R7 solicitou à SSP entrevista com todos os questinados pelo ex-coronel Adriano, sem obter retorno sobre o pedido. Em nota, a pasta afirmou:

"A Corregedoria da Polícia Militar instaurou, em 2015, IPM [Inquérito Policial Militar] para investigar fraudes em licitações ocorridas na seção de finanças do Departamento de Suporte Administrativo da Polícia Militar. O inquérito foi relatado à Justiça Militar em abril de 2017".

Na mesma nota, a secretaria afirma que "não compactua com qualquer desvio de conduta e ressalta que todas as denúncias contra policiais, civis ou militares, são rigorosamente investigadas pelas respectivas Corregedorias". "Se comprovada as irregularidades apontadas, os responsáveis podem penalizados civil e criminalmente", diz a pasta.

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