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Mulher de Marcola diz que ele perdeu 20 kg e que há comida escassa em presídio

Por meio de seu advogado, Cynthia Camacho afirmou que traficante vem recebendo alimentos estragados. Veja a íntegra da carta

São Paulo|Do R7


Marcola, chefe do PCC
Marcola, chefe do PCC

A mulher do principal chefe do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, 55, o Marcola, divulgou uma carta à imprensa apontando que o marido passa fome na Penitenciária Federal de Brasília. 

Cynthia Gigliolli Herbas Camacho se manifestou por meio do advogado Bruno Ferullo Rita. No documento, ela alega que Marcola emagreceu 20 kg.

"A Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Brasília é a única Penitenciária que fornece comida estragada e/ou impropria para o consumo, e quando a comida não chega estragada, é escassa e de má qualidade, ocasionando por diversas vezes infecção intestinal nos presos", afirmou. 

Cynthia Giglioli Herbas Camacho, esposa de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como “Marcola”, nos procurou por meio de seu advogado Bruno Ferullo, para denunciar a situação desumana a qual Marco vem sendo submetido na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Brasília.

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Procurada, a Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), do governo federal, não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Veja a íntegra da carta: 

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Inicialmente, Cynthia assevera que por muito tempo se manteve quieta, longe de toda a imprensa com medo de possíveis represálias pelo Estado, temendo não somente pela sua integridade física, mas também pela do seu marido, entretanto, em razão de não aguentar mais a circunstância a qual estão submetendo Marco, decidiu falar.

Segundo ela, a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Brasília é a única Penitenciária que fornece comida estragada e/ou impropria para o consumo, e quando a comida não chega estragada, é escassa e de má qualidade, ocasionando por diversas vezes infecção intestinal nos presos. Relata que desde que quando Marco chegou na unidade de Brasília, vem reclamando semanalmente durante as visitas que ele tem passado fome, inclusive, por diversas vezes fez reclamações sobre a qualidade e escassez da comida, e a situação desumana permanece. Acrescenta que Marco não é o único que passa por essa situação, informando que quase todos os presos que lá estão ou que já estiveram, também relataram situações em que passavam fome ou adoeciam pela comida que era fornecida.

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Cynthia ainda descreve situação em que Marco teve que ser levado ao hospital para realização de exames, ainda retrata que desde que Marco chegou em Brasília – após ter passado pela Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Porto Velho – perdeu cerca de 20 kg, cujo os quais não recuperou até hoje pela falta de comida que lhe é fornecida. Situação completamente ignorada e desprezada pelo DEPEN, que não faz nada para alterar esse quadro fático. Resignada, declara: “entendemos que tem diversas pessoas no mundo passando fome, o Estado está fornecendo comida, ainda que pouca, e de fome ele não vai morrer! Mas a verdade é que o dinheiro é do Estado e tem que ser fiscalizado, nesse casso, pra onde vai o dinheiro que seria destinado aos custodiados pelo Estado?!”.

A esposa de Marco expõe que o Presídio Federal também não permite que o familiar deposite o pecúlio, e questiona qual seria a razão que impeça o presídio de estipular o que pode ser comprado e posteriormente a família deposita o dinheiro, assim, cessaria a situação pelas quais os presos naquele estabelecimento estão passando, porque as famílias dariam uma boa coberta, boa roupa, boa comida, assim como em todos os outros presídios do país, nas palavras dela “nós familiares não queremos que sirvam lagosta, e sim, apenas uma comida possível de ser comer”.

Para Cynthia, estão submetendo Marco a um método de tortura pelo resto da vida dele, tendo em vista que lá é praticamente pena perpétua, portanto, o preso passa o resto da vida sendo submetido a situações completamente desumanas. Também expõe que a situação é estendida aos familiares em dias de visita, sendo tratados como presos, ao passo que alguns dos agentes penitenciários são extremamente hostis, sendo grosseiros para acompanhar até o banheiro. Exemplificou que as visitas ficam trancadas no parlatório, e para irem até o banheiro precisam ficar batendo na porta, tocando companhia por diversas vezes até alguém resolver abrir. Além disso, Cynthia também manifesta sua indignação pelo fato de que as visitas com seu marido são todas realizadas em parlatórios com vidros blindados, com duração de apenas 3 horas, sem nenhum contato físico.

A esposa de Marco também relatou que está extremamente preocupada com o estado da saúde mental do seu marido, justificando sua preocupação pelo fato de que Marco nunca sai da cela para o banho de sol, apenas para visita que ocorre 1 vez por semana. Para Cynthia, a unidade o isolou como se estivesse em um pavilhão inteiro só para ele, vivendo em completa solidão, narra que ao lado de sua cela estão mais 3 presos, cujos os quais por questões de foro íntimo Marco prefere se afastar, e em razão disso, Marco está completamente isolado.

Relata ainda que seu marido, teve que conviver com a solidão quando foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília em 2019, quando ficou por um longo período sozinho em um andar, antes disso, Marco estava preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, onde Marco tinha a “vivencia”, ou seja, a mesma ALA, com mais um preso, cujo qual Marco se referia como “pistoleiro”, evitando sair para o banho de sol com esse mesmo preso, e numa lamentável “coincidência” esse indivíduo foi junto com Marco para Brasília, o qual permaneceu ao lado de sua cela.

Cynthia desabafa dizendo que a família está preocupada porque esse completo isolamento, cumulado com outras mazelas devido à má alimentação, podem trazer danos terríveis no emocional dele. Neste momento Cynthia confessou que ultimamente tem percebido que seu marido vem sempre muito pálido, com as mãos bem trêmulas, que só vão passando após 1h de visita, menciona também que Marco não recebe suas cartas enviadas, tampouco as enviadas pelos seus filhos semanalmente, quando as recebe, é somente após meses do envio.

Por fim, Cynthia aduz que a Unidade Prisional tem ciência do estado de saúde de Marco e permanece inerte, desprezando o fato de passar períodos sem comida, ou com comida escassa e estragada, igualmente ignoram o fato de que Marco não sai para o banho de sol, continuam bloqueando cartas escritas pela família, e tampouco sequer o encaminham para uma consulta psicológica, perpetrando a tortura contra seu marido.

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