Saúde Aborto espontâneo aos 39 anos é comum, como caso de Meghan 

Aborto espontâneo aos 39 anos é comum, como caso de Meghan 

Erro genético que ocorre durante a divisão celular do óvulo é uma das causas do problema, mais frequente após os 35 anos, dizem especialistas

  • Saúde | Do R7

"Enquanto segurava meu primeiro filho, que estava perdendo meu segundo"

"Enquanto segurava meu primeiro filho, que estava perdendo meu segundo"

Reuters/Eddie Mulholland/Pool/25.4.2018

O aborto espontâneo após os 35 anos, como no caso de Megan Markle, 39, é frequente. Uma em cada cinco gestações a partir dessa idade evolui para abortamento, segundo o ginecologista Pedro Monteleone, diretor do Centro de Reprodução Humana Monteleone e coordenador técnico do centro de reprodução humana do Hospital das Clínicas de São Paulo. 

A duquesa de Sussex, casada com o príncipe Harry, revelou nesta quarta-feira (25) que sofreu um aborto natural em julho em um artigo do jornal norte-americano The New York Times. Tratava-se de sua segunda gestação. Ela é mãe de Archie, de 1 ano e 7 meses. "Eu sabia, enquanto segurava meu primeiro filho, que estava perdendo meu segundo", escreveu.

"O risco de aborto aumenta com o avançar da idade da mulher, principalmente após os 35 anos. O principal motivo são os erros genéticos que podem ocorrer na formação embrionária, inviabilizando o desenvolvimento da gravidez", afirma Monteleone. 

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"A ocorrência do aborto aumenta com a idade justamente pelo fato do aumento da frequência da formação de embriões inadequados do ponto de vista genético, ou seja, em geral será necessária um maior número de gestações para o nascimento de um filho", completa o médico.

O ginecologista e obstetra Geraldo Caldeira, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e médico do Serviço de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, explica que os defeitos no óvulo ocorrem durante a divisão celular, levando a embriões alterados geneticamente.

"As causas mais frequentes do aborto espontâneo são malformações genéticas, mas podem ser também trombofilia [formação de coágulos de sangue] e endometrite [inflamação do endométrio] com processo inflamatório dentro da cavidade uterina e causas imunológicas", diz. 

O aborto espontâneo costuma ocorrer até a 12ª semana de gravidez; quando acontece entre 12ª e 20ª semana é considerado aborto tardio. "Quando ocorre o aborto espontâneo, há duas opões: espera para ver se é eliminado naturalmente, de forma completa, sendo não necessário fazer a curetagem ou o chamado amiu, que é a aspiração intrauterina ou interna a paciente e faz a curetagem e a aspiração direto", afirma. 

Segundo ele, normalmente, é possível esperar até 15 dias para a eliminação espontânea do embrião. 

Os sintomas são cólica, sangramento e dor, mas também pode não haver nenhum sintoma, de acordo com o médico. "Há paciente que não sente nada, mas quando vai fazer ultrassom, o embrião está sem batimento cardíaco. É o o chamado aborto retido", explica. 

É considerado aborto de repetição quando a mulher já teve três episódios. Existem exames que ajudam a investigar as causas do aborto espontâneo. Um deles é um exame de sangue chamado cariótipo, um mapa de cromossomos, feito pelo casal. Também é possível fazer a biópsia do embrião antes que seja transferido para o útero, no caso de gestações resultantes de fertilização in vitro, para analisar se erros genéticos são a causa do problema.

"Se fez curetagem é possível enviar o material do aborto para exame para saber ser houve alguma alteração genética. Vale a pena também fazer uma histeroscopia para saber como está a cavidade uterina, para ver se não tem nada que possa ter levado ao aborto e pesquisar trombolifia", explica Caldeira.

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