Saúde Brasil consome 7,5 kg de agrotóxicos por habitante

Brasil consome 7,5 kg de agrotóxicos por habitante

Relatório do Humans Right Watch aponta problemas de saúde causados a moradores de áreas próximas a plantações em todo o país

Agrotóxicos

Efeitos de agrotóxicos incluem dor de cabeça e vômito

Efeitos de agrotóxicos incluem dor de cabeça e vômito

Dirceu Portugal/Folhapress

Um estudo da organização não governamental Humans Rights Watch mostra que o Brasil consome, em média, 7,5 kg de agrotóxicos por habitante a cada ano. Além dos possíveis efeitos nos alimentos, há outros danos imediatos.

Os pesquisadores constataram problemas de saúde em pessoas que vivem em áreas rurais, incluindo indígenas e quilombolas. Ao longo de nove meses, foram entrevistadas 73 pessoas em diversas regiões do país.

"Pessoas comuns, em suas rotinas diárias, são expostas a tóxicas aplicações de agrotóxicos que ocorrem com frequência nas proximidades de suas casas, escolas e locais de trabalho", diz o relatório, divulgado na sexta-feira (20).

Os efeitos colaterais mais comuns são dor de cabeça, enjoo, vômitos, aumento da frequência cardíaca e sudorese. Há relatos de crianças que tiveram que interromper as aulas em uma escola rural no Paraná por causa do forte cheiro dos produtos químicos durante a pulverização em uma plantação próxima.

Segundo a HRW, dos dez agrotóxicos mais utilizados no Brasil, nove são considerados altamente perigosos pela organização não governamental Pesticide Action Network International. Quatro deles não são permitidos na Europa, "o que indica quão perigosos muitos deles são segundo alguns padrões", acrescentam os pesquisadores.

Apesar de haver uma regulamentação que proíbe que sejam pulverizados agrotóxicos a 500 m de locais povoados e mananciais de água, a fiscalização praticamente não existe. Quando há denúncias por parte da população, surgem ameaças.

A Humans Right Watch conversou com um padre que recebeu mensagens ameaçadoras após organizar um abaixo-assinado contra a pulverização de agrotóxicos na cidade de Boa Esperança (ES).

"Inicialmente, recebi mensagens me avisando para eu me cuidar. Então, agrônomos começaram a me enviar vídeos pornográficos… depois, recebi ligações com ameaças ‘você não passa de dezembro’”, contou.

Agrotóxicos: o inimigo invisível

Dados do Ministério da Saúde mostram apenas 1.141 casos de exposição crônica a agrotóxicos entre 2007 e 2015. Mas o governo admitiu à HRW a possibilidade de haver uma subnotificação, devido à "baixa capacidade do serviços de saúde de reconhecer e captar casos desse tipo".

O documento traz uma série de recomendações a diversos órgãos da administração pública, entre elas, a rejeição de "projetos de lei que venham a enfraquecer a estrutura regulatória do Brasil sobre agrotóxicos".