Covid-19: O que já se sabe sobre a vacina de Oxford

Imunizante foi o primeiro a iniciar testes no Brasil e tem acordo prévio com governo brasileiro para ser distribuído aqui, caso seja aprovado

A vacina de Oxford usa adenovírus de chimpanzés como base

A vacina de Oxford usa adenovírus de chimpanzés como base

Siphiwe Sibeko/Reuters

Desenvolvida pela farmacêutica sueca AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, a vacina de Oxford passa por testes no Brasil com coordenação da Unifesp (Universidade de São Paulo), sendo uma das candidatas a serem distribuídas no país. 

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Representantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) têm previsão de visitar a fábrica da vacina da Oxford na China de 7 a 10 de dezembro. Eles já estão no país. A inspeção faz parte do protocolo para registro da vacina no Brasil. 

Já existe um acordo entre a Universidade de Oxford e o governo brasileiro para a compra do imunizante e transferência da tecnologia, caso a vacina seja aprovada nos testes. No Brasil, será produzida pela Bio-Manguinhos, laboratório da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro. 

A vacina está na terceira e última fase de testes e resultados preliminares, divulgados nesta quinta-feira (19) pelo periódico médico Lancet, demonstraram que ela produz uma forte resposta imune em idosos acima de 70 anos, principal grupo de risco da doença. A informação já tinha sido adiantada pelo jornal britânico Financial Times em outubro. 

Testes anteriores demostraram que a vacina estimulou dois tipos de imunidade: a produção de anticorpos aos 28 dias e de células de memória aos 14 dias. Os dados também foram publicados na Lancet.

A vacina usa uma tecnologia chamada vetor viral não replicante. Em vez de utilizar o próprio coronavírus para estimular a resposta imune no corpo, como as vacinas convencionais, ela utiliza adenovírus que causa resfriado em chipanzés, modificado em laboratório, não sendo capaz de se replicar em células humanas.

Fragmentos do coronavírus, especificamente a proteína spike, são acopladas a esse adenovírus por meio de engenharia genética, funcionando como veículo para que os fragmentos do Sars-Cov-2 estimulem uma resposta imunológica no organismo.

Por ser um vírus desconhecido ao corpo humano, há uma tendência de gerar uma resposta imunológica robusta, segundo o infectologista Munir Ayub, da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirmou em entrevista ao R7. Mas, por outro lado, segundo ele, por se tratar de uma tecnologia sofisticada, nem todos os laboratórios seriam capazes de produzir esse tipo de vacina.

Os testes começaram no Brasil em 20 de junho e englobam 10 mil pessoas. Os testes globais chegaram a ser suspensos em setembro depois que uma voluntária no Reino Unido apresentou reação adversa grave, mielite transversa, uma manifestação neurológica que afeta os nervos periféricos da coluna. Mas os testes foram retomados dias depois.

Segundo a AstraZeneca, a previsão é que o imunizante seja aplicado no primeiro trimestre de 2021.