Saúde Ler em voz alta e dar apoio emocional ajudam as crianças a superarem a dislexia, diz psiquiatra

Ler em voz alta e dar apoio emocional ajudam as crianças a superarem a dislexia, diz psiquiatra

Distúrbio de aprendizado costuma aparecer durante a alfabetização, na faixa dos 5 a 7 anos

Ler em voz alta e dar apoio emocional ajudam as crianças a superarem a dislexia, diz psiquiatra

Criança com dislexia não desenvolve a leitura na mesma velocidade que os outros colegas

Criança com dislexia não desenvolve a leitura na mesma velocidade que os outros colegas

Reprodução/ childrenshouseinternational

Caracterizada pela dificuldade de leitura e escrita, a dislexia é um distúrbio de aprendizado que pode ser percebida na decodificação e interpretação de letras e palavras. É no início da fase escolar — principalmente durante a alfabetização, na faixa dos cinco a sete anos — que costuma-se notar se a criança possui algum distúrbio de aprendizado: troca letras, tem dificuldade de compreensão das atividades, não tem o mesmo ritmo que os colegas, entre outros comportamentos que destoam do “normal”. 

Médico psiquiatra e doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Mario Louzã afirma que, além do apoio emocional, os pais podem ajudar os filhos a superarem a dislexia no treino de leitura — lendo alto ou auxiliando na compreensão do que está sendo lido —, ou em qualquer atividade lúdica que envolva o reconhecimento das letras, das palavras, dos seus sons e de seus significados.

Atualmente, a dislexia atinge cerca de 5% a 10% da população infantil, e suas causas ainda não são totalmente conhecidas. Sabe-se apenas que o fator genético é preponderante (genes ligados ao desenvolvimento do cérebro no embrião e na criança). 

Troca de letras

Se houver dislexia, a partir dos sete anos, a criança não desenvolve a leitura na mesma velocidade que os outros colegas. A leitura é mais lenta e, ao escrever, costuma trocar letras ou escreve ao contrário. A criança também pode inverter as letras ao escrever, e com os números, não é diferente. Pode haver uma inversão, por exemplo, entre o "6" e o "9".

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De acordo com Louzã, o diagnóstico da dislexia é feito por uma equipe que envolve psiquiatra, fonoaudiólogo e, eventualmente, um neuropsicólogo. No entanto, quem realiza o tratamento é um fonoaudiólogo.

Dentre as principais áreas afetadas no cérebro das crianças que sofrem de dislexia são os lobos temporais, além de algumas estruturas dos lobos frontais e parietais.

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Louzã ressalta ainda que há vários tipos de dislexia. São elas:

— Dislexia Adquirida: é mais recorrente em adultos, e pode ocorrer após algum tipo de traumatismo craniano, derrame cerebral ou doenças neurodegenerativas.

— Dislexia de Desenvolvimento: é a dislexia típica do desenvolvimento da criança, sem uma causa aparente. Contrasta com a dislexia adquirida, que é consequência de alguma doença neurológica.

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— Dislexia Fonológica: é a dificuldade de ler palavras desconhecidas.

— Dislexia Superficial: neste tipo de dislexia, as palavras que são lidas da mesma forma que são escritas, como "bala", não geram dificuldade, ao contrário das palavras cuja escrita não coincide com a pronúncia, dificultando a leitura (por exemplo, ‘exercício’ – o ‘x’ é pronunciado como um ‘z’).

— Dislexia Profunda ou Mista: envolve dificuldade tanto no reconhecimento sonoro da palavra quanto na compreensão de seu significado.