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Novo dispositivo detecta anticorpos contra a Covid em cinco minutos

Resultados revelaram acertos até maiores que o do teste convencional ELISA, padrão-ouro empregado atualmente

Saúde|Ricardo Muniz, da Agência Fapesp

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Ilustração mostra estrutura do óxido de zinco modificado com a proteína Spike e interação com os anticorpos
Ilustração mostra estrutura do óxido de zinco modificado com a proteína Spike e interação com os anticorpos Karin Regina Leite de Oliveira/DK design

Testes rápidos, baratos e precisos continuam sendo essenciais para que os serviços de vigilância em saúde monitorem e contenham a disseminação do vírus SARS-CoV-2 e pesquisadores desenvolveram um sensor capaz de ajudar nesse objetivo.

O trabalho foi considerado relevante na área e teve destaque ao estampar a capa da revista ACS Biomaterials Science and Engineering.

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Para desenvolver esse novo método diagnóstico o grupo utilizou um material usualmente conhecido na área de metalurgia, o óxido de zinco, combinado de forma inédita com o FTO, um vidro condutor de elétrons.

“Por meio dessa combinação inusitada e acrescentando uma biomolécula, a proteína viral Spike, foi possível desenvolver uma superfície com capacidade de detecção de anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2. A leitura do resultado se dá pela captação de sinal eletroquímico na superfície desenvolvida”, explica o químico Wendel Alves, professor do Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC (UFABC) e autor principal do artigo.

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O eletrodo criado detectou anticorpos contra o novo coronavírus em amostras de soro em cerca de cinco minutos, com índice de sensibilidade de 88,7% e especificidade de 100%. Os resultados revelaram número de acertos até maiores que o do teste convencional ELISA (ensaio de imunoabsorção enzimática), padrão-ouro empregado atualmente.

O trabalho contou com apoio da FAPESP por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Bioanalítica (INCTBio) e de um Projeto Temático. Alves, que desenvolve pesquisas no Laboratório de Eletroquímica e Materiais Nanoestruturados (LEMN) da UFABC, conta que o conhecimento de propriedades químicas, como o ponto isoelétrico da proteína Spike do SARS-CoV-2, permitiu desenvolver uma plataforma em que ela ficasse retida por meio da ligação eletrostática com os nanobastões de óxido de zinco.

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Esse composto, aliás, tem sido cada vez mais utilizado na produção de biossensores por causa de sua versatilidade e propriedades químicas, ópticas e elétricas diferenciadas.

De fácil produção e utilização, o imunossensor tem também custo de fabricação relativamente baixo. “Ele foi viabilizado graças ao emprego do forte conhecimento do grupo de pesquisa sobre novos materiais e a habilidade de sintetizar nanobastões de óxido de zinco, os chamados ‘nanorods’, modificando a superfície de um vidro condutor, o FTO”, detalha Alves.

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Esse processo permitiu criar um microambiente molecular favorável para a imobilização da proteína viral Spike sobre a superfície eletrocondutora, transformando essa construção em um dispositivo simples para detecção de anticorpos contra o SARS-CoV-2.

A perspectiva do grupo é adaptar a plataforma para torná-la portátil, permitindo a conexão de dispositivos móveis para facilitar a detecção de anticorpos contra a COVID-19 e outras doenças infecciosas.

Análises e usos futuros

Para os testes, foram analisadas 107 amostras, divididas em quatro grupos: pré-pandemia (15); convalescentes de Covid-19 (47); vacinados sem resultado positivo anterior para a doença (25); vacinados com resultado positivo anterior (20). Os vacinados haviam recebido duas doses de CoronaVac, com quatro semanas de intervalo entre elas.

Um dos destaques ressaltados pelos pesquisadores é que os anticorpos detectados na plataforma desenvolvida podem ser tanto de infecção pelo coronavírus quanto de resposta imunológica induzida por uma vacina.

Essa segunda aplicação é bastante importante para auxiliar as ações de saúde pública ao monitorar a eficácia de diferentes programas e campanhas de vacinação.

O trabalho é assinado por pesquisadores da UFABC e do Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), que apontam a importância desse monitoramento das taxas de soroconversão e soroprevalência da imunidade gerada após vacinação.

O dispositivo está atualmente validado para detecção de imunidade induzida pela CoronaVac, mas o grupo pretende expandir para testar também a resposta de outros fabricantes, como Pfizer e AstraZeneca.

Uma das vantagens do eletrodo desenvolvido é sua arquitetura flexível, tendo potencial para outras aplicações biomédicas e de diagnóstico a partir de adaptações e personalizações. “A tecnologia gerada é uma plataforma de biossensoriamento versátil. Com o domínio dessa tecnologia é possível modificá-la e customizá-la para detecção sorológica de outras doenças de interesse para a saúde pública”, aponta Alves.

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