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Receptores de órgãos do mesmo doador morrem, e investigação revela algo surpreendente

Quatro pacientes desenvolveram quadros de encefalite semanas após transplante, sendo que dois deles não resistiram

Saúde|Do R7


Investigação dos casos envolveu várias autoridades sanitárias dos Estados Unidos
Investigação dos casos envolveu várias autoridades sanitárias dos Estados Unidos

Um caso ocorrido nos Estados Unidos em 2021 veio à tona no começo deste mês, em um artigo publicado na revista científica The Lancet Microbe. Quatro pessoas que receberam órgãos de um mesmo doador desenvolveram um quadro de encefalite — inflamação no interior do cérebro causada por vírus ou reações do sistema de defesa após uma infecção — de duas a seis semanas após o transplante. Dois deles morreram.

"O reconhecimento de doença neurológica em quatro receptores de órgãos sólidos (coração, fígado e rins) de um mesmo doador foi relatado às autoridades de saúde pública nos EUA, e uma investigação envolvendo 15 agências e centros médicos foi lançada em 7 de novembro de 2021 para identificar a causa", diz o artigo,

Confirmou-se que os quatro receptores haviam sido infectados recentemente pelo vírus da febre amarela, mais especificamente pela cepa usada na vacina, a 17D.

Ao longo da apuração, os médicos constataram que "três dias antes da captação de órgãos, o doador de órgãos recebeu uma transfusão de sangue de uma pessoa que havia recebido uma vacina contra a febre amarela seis dias antes".

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Os resultados do estudo mostraram que a transmissão do vírus da vacina contra a febre amarela por meio de transfusão de sangue e posterior transplante de órgãos resultou em encefalite nas pessoas que os receberam.

Quem eram os pacientes

Uma mulher que recebeu o rim direito tinha aproximadamente 60 anos, histórico de diabetes tipo 1, hipertensão e transplante prévio de rim e pâncreas. "Ela não tinha histórico de viagens no mês anterior ao transplante ou de vacinação contra a febre amarela", descreve o artigo.

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Ela retornou ao hospital quatro semanas após o transplante e foi internada com febre, cansaço e mal-estar. Nos seis dias que se seguiram, apresentou problemas cognitivos e metade do corpo esquerdo e parou de responder. A paciente foi entubada, e exames de ressonância magnética revelaram alterações microvasculares crônicas.

"Após cerca de um mês de tratamento hospitalar, ela foi transferida para cuidados de longo prazo, onde permaneceu dependente de ventilação, sem melhora neurológica, e faleceu sete meses após o transplante.”

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O segundo paciente que morreu foi um homem na faixa dos 50 anos que recebeu o coração. Ele também não havia viajado antes da cirurgia, e seu histórico de vacinação era desconhecido.

O paciente deu entrada no hospital 17 dias após o transplante, com febre, mal-estar e letargia, seguidos de declínio progressivo em seu estado cognitivo. Assim como a mulher, o quadro progrediu para perda do movimento de membros.

Os médicos tentaram vários tratamentos, mas sem sucesso. Ele faleceu 56 dias após o transplante.

Já os pacientes que sobreviveram foram um homem de cerca de 40 anos que recebeu o fígado e uma mulher, também na mesma faixa etária, que recebeu o rim esquerdo.

Eles tiveram sintomas como febre persistente, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia e mal-estar, e foram monitorados no hospital até receberem alta.

Um ano após o transplante, os médicos relataram que se recuperavam bem.

Alerta

Por fim, os autores do estudo destacam a importância de informar aos pacientes sobre a necessidade de adiar a doação de sangue após receberem a vacina da febre amarela.

"A transmissão do vírus da vacina contra a febre amarela [cepa] 17D por meio de transplantes de órgãos sólidos ilustra a importância de os médicos reconhecerem a possibilidade de infecção derivada do doador e colaborarem com as autoridades de saúde pública para realizar uma avaliação abrangente. [...] Este grupo de casos ocorreu porque uma doação de sangue foi feita logo após a recepção de uma vacina de vírus vivo, e o produto sanguíneo associado foi transfundido em um doador de órgãos. Embora a transfusão sanguínea continue a se tornar mais segura ao longo do tempo, a infecção transmitida por transfusão de um doador de órgãos pode raramente resultar em infecções associadas ao transplante. [...] Profissionais de saúde que administram a vacina contra a febre amarela devem informar aos pacientes a necessidade de adiar a doação de sangue por pelo menos duas semanas após a vacinação."

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