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Ministros do Supremo condenam José Dirceu a dez anos e dez meses de prisão

Ex-ministro deve começar a cumprir a pena em regime fechado

Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

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O STF (Supremo Tribunal Federal) condenou, nesta segunda-feira (12), o ex-ministro da casa Civil José Dirceu a dez anos e dez meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa de nove deputados.

A maioria do plenário acompanhou o voto do ministro relator do mensalão, Joaquim Barbosa, que condenou Dirceu a dois anos e 11 meses de prisão por formação de quadrilha e a sete anos e 11 meses por corrupção ativa.

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Como a soma das penas, que ainda pode mudar, resulta em mais de oito anos, a lei estabelece que o condenado comece a cumprir a pena em regime fechado.

Primo de Collor dá o voto que define condenação de José Dirceu

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Dirceu é condenado a dois anos e 11 meses por quadrilha

Dirceu é culpado por formação de quadrilha pelo Supremo

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Para Joaquim Barbosa, Dirceu atuou como “chefe” do núcleo político e, por isso, aumentou a pena base de quadrilha em um sexto. Segundo relator, José Dirceu foi o responsável pelas negociações ilegais do mensalão.

— Para assegurar o sucesso do plano criminoso, José Dirceu negociou a simulação de empréstimos bancários ilegais junto ao Banco Rural que se somaram às quantias desviadas dos cofres públicos, dando aparência de licitude ao dinheiro distribuído aos deputados.

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No crime de corrupção ativa, a pena de Dirceu foi aumentada em dois terços por ter sido cometido nove vezes e em mais um sexto por ter sido considerado o organizador do esquema.

Discussão

O ministro revisor, Ricardo Lewandowski, se disse surpreso com a decisão de Barbosa em iniciar a 45ª sessão do mensalão pelo núcleo político. O ministro alegou que estava preparado para votar no núcleo financeiro e que nem os advogados do réu estavam presentes no plenário.

— Toda hora o senhor nos apresenta uma surpresa, eu não aceito surpresa, senhor relator. A imprensa anunciou que seria núcleo financeiro.

Mas o ministro Joaquim Barbosa não aceitou o argumentou e os magistrados iniciaram mais um bate-boca. O relator acusou Lewandowski de tentar obstruir a votação.

— Eu é que estou surpreendido com a ação de obstrução de vossa excelência. A surpresa que está havendo é a lentidão em proferir os votos. Esse joguinho. Na semana passada, vossa excelência leu um artigo de jornal durante 30 minutos!

Lewandowski não aceitou a acusação de tentar obstruir o julgamento, e irritado, levantou-se e deixou o plenário. O ministro revisor não vota na dosimetria de José Dirceu porque inocentou o ex-ministro de todos os crimes.

O presidente da Corte, ministro Ayres Britto, e o decano do STF, Celso de Mello, saíram em defesa da decisão de Joaquim Barbosa. Britto lembrou que o plenário decidiu, no início do julgamento, que cada ministro definiria como votar.

— Essa Corte deliberou que cada ministro deve adotar a metodologia de voto que entender cabível. Não vejo obstáculo em começarmos pelo núcleo político.

O decano do Supremo também argumentou que os advogados de todos os réus devem estar atentos, uma vez que o processo de dosimetria está em curso.

— Não há que se falar em surpresa, uma vez que todos os réus estão regularmente intimados e não foram surpreendidos por uma deliberação intempestiva do relator.

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