Brasil Agrotóxico, o perigo invisível: Brasil, o campeão no uso de agrotóxicos

Agrotóxico, o perigo invisível: Brasil, o campeão no uso de agrotóxicos

Pesquisadora indica que a cada 2 dias e meio, uma pessoa morre no Brasil intoxicada por alguma substância da fórmula desses produtos

  • Brasil | Marcelo Magalhães, Rogério Guimarães, Laura Ferla e Gustavo Costa, da Record TV

Lavradores de pequenas propriedades rurais em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. Operários de uma fábrica em Paulínia, no interior de São Paulo. Policiais rodoviários da fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Consumidores de grandes cidades do mundo, como São Paulo, Nova York, Londres e Tóquio. Todos são afetados diariamente por um produto muito usado e extremamente perigoso: o agrotóxico.

Durante três meses, os repórteres do Câmera Record mergulharam nesse assunto que mexe com a vida de todos nós. E entraram em um debate que envolve prós e contras, defensores engajados e críticos ferrenhos.

"O Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos. Por dois motivos: o primeiro é porque um grande país agroexportador. E o segundo é a permissividade. A quantidade de produtos que a gente permite que sejam usados", afirma a professora Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do laboratório de Geografia Agrária da USP.

Dos dez produtos mais exportados pelo Brasil, sete são de origem agropecuária. Quem trabalha diariamente com o agronegócio defende que o uso de pesticidas é inevitável.

"No Brasil, nós temos a prática de agricultura praticamente o ano inteiro. A mesma região com duas ou três safras ao longo do ano. E nós estamos numa região de um país tropical. A pressão das pragas, das doenças é muito maior. Então, isso demanda um uso maior de ferramentas de controle sanitário, entre elas, o agrotóxico", diz o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi.

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Se para as exportações esses produtos químicos são considerados fundamentais, o efeito colateral chega, principalmente, para os pequenos produtores rurais.

"Pesquisas indicam que menos de 15% dos agricultores do Brasil usam equipamento de proteção. Esse é o grande problema. O agrotóxico, ele é um produto químico como outro qualquer. Ele requer cuidados especiais na sua aplicação," afirma o jornalista especializado em agronegócio, Nicholas Vital.

Os números de vítimas do agrotóxico impressionam. Em apenas sete anos, foram mais de 25 mil pessoas intoxicadas pelos pesticidas. Oito brasileiros por dia.

"A cada 2 dias e meio, uma pessoa morre no Brasil intoxicada por agrotóxico," diz a geógrafa Larissa Bombardi.

São esses lavradores mais simples, da agricultura familiar, que produzem 70% dos alimentos que nós, brasileiros, consumimos todos os dias, segundo dados do Ministério da Agricultura. Um levantamento do Instituto Biológico, ligado ao governo de São Paulo, encontrou índices de pesticidas acima do permitido em produtos como o pimentão e o mamão.

"Não dá para perceber quanto causa na saúde do consumidor imediatamente. Mas, a longo prazo, pode haver um somatório de contaminantes que vão aderindo ao organismo e, com o passar do tempo, podem trazer grandes males", alerta o pesquisador do Instituto Biológico, Amir Bertoni.

Mas não são apenas os brasileiros que se preocupam com essa contaminação. Nossos produtos agrícolas são exportados para vários lugares do mundo, como mostram os correspondentes Heloisa Villela, André Tal e Cintia Godoy.

Mas, afinal, que tipos de problemas de saúde são causados pelos agrotóxicos? Onde são produzidas essas substâncias? E o que fazer para se proteger dos efeitos dos pesticidas no organismo? É o que vamos mostrar ao longo dos próximos episódios da websérie Agrotóxico: O perigo invisível.

Gostou desse conteúdo? Não perca a reportagem exclusiva sobre o uso abusivo dos agrotóxicos no Câmera Record. É nesta quinta-feira (1º), às 22h30, logo após o Jornal da Record.

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