Brasil Começa no Brasil a cúpula do Brics, mas temas espinhosos não entram

Começa no Brasil a cúpula do Brics, mas temas espinhosos não entram

Ao lado de Bolsonaro, líderes de Rússia, Índia, China e África do Sul precisam também justificar por que são necessárias as reuniões anuais do bloco

Começa no Brasil a cúpula dos Brics, mas temas espinhosos não entram

Bolsonaro e Xi Jinping podem aumentar parcerias

Bolsonaro e Xi Jinping podem aumentar parcerias

Palácio do Planalto

Com o objetivo de evitar temas embaraçosos diplomaticamente, começa nesta quarta-feira (13), em Brasília, a 11ª edição da cúpula do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

O presidente Jair Bolsonaro teria sido aconselhado por assessores a evitar falar sobre a situação política da Bolívia no encontro. E Venezuela também é um assunto a ser deixado de lado. 

Ele e integrantes de sua família e do governo brasileiro comemoraram a renúncia do ex-presidente boliviano Evo Morales no domingo (9), mas como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e o da China, Xi Jinping, foram mais moderados ao abordar o assunto, a fala de Bolsonaro pode criar um clima desagradável.

Leia: Presença do presidente chinês no Brasil vai aprofundar parcerias

Representantes do Brics também são mais ponderados ao abordar a crise na Venezuela e não compactuam com as críticas que o presidente brasileiro faz à atuação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na quinta-feira (14), os cinco líderes discutirão temas definidos como prioritários pelo Brasil, anfitrião do evento: ciência, tecnologia e inovação; combate a ilícitos internacionais e o terrorismo; e cooperação em saúde.

Além disso, o encontro é uma chance de reforçar os laços comerciais do país com  China e Índia. 

Outra possível saia justa é o posicionamento de Bolsonaro como forte aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O que pode ser mais um desconforto com Rússia e China, nações contra as quais os americanos têm divergências políticas e econômicas.

Para que serve o grupo?

Se no final da década anterior o grupo das nações emergentes se mostrava forte e buscava espaço em organismos como ONU e FMI (Fundo Monetário Internacional), o desafio agora parece ser arranjar justificativas para a manutenção do bloco. 

Além dos muitos temas que devem ficar fora da pauta, a cúpula de 2019 também será esvaziada em comparação com as anteriores. No ano passado, na África do Sul, a reunião contou com a participação em discussões paralelas de 19 nações africanas, além de Argentina, Turquia e Jamaica. No próprio Brasil, em 2014, todos os líderes sul-americanos estiveram presentes.