Brasil Críticos das cisternas cobram transposição do São Francisco para acabar com seca no Nordeste

Críticos das cisternas cobram transposição do São Francisco para acabar com seca no Nordeste

Governo federal garante que os programas são complementares e possuem objetivos diferentes

  • Brasil | Carolina Martins, do R7, enviada a Natal (RN)*

Transposição do São Francisco promete amenizar seca no Nordeste

Transposição do São Francisco promete amenizar seca no Nordeste

Gustavo Magnusson/05.06.2012/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O projeto de construção de cisternas pré-moldadas no semiárido brasileiro, que tem por meta levar água a 3,7 milhões de pessoas que vivem na região, não é consenso. Os críticos do programa alegam que gastar R$ 2 bilhões para permitir acesso à água a 17% da população do semiárido é uma medida paliativa e cobram a conclusão das obras de transposição de águas do rio São Francisco para resolver o drama da falta d'água no Nordeste.

Durante essa semana, o R7 traz uma série de reportagens sobre a escassez de água no Nordeste e as alternativas que a região encontra para enfrentar o drama da estiagem.

A construção das cisternas pré-moldadas faz parte do programa Brasil Sem Miséria do governo federal, dentro do projeto Água para Todos. O objetivo é entregar 750 mil cisternas até o fim do ano em 99 municípios do semiárido.

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As cisternas têm capacidade de 16 mil litros de água. O sistema capta chuva por meio do telhado e a água pode ser usada para consumo doméstico. A estimativa é que três meses captando água em meses chuvosos sejam suficientes para abastecer uma família de cinco pessoas durante o resto do ano.

As famílias que recebem a cisterna comemoram a possibilidade de ter acesso água dentro de casa, mas há questionamentos sobre o andamento do projeto de transposição do Rio São Francisco, que solucionaria o problema da seca no Nordeste de maneira mais definitiva.

No entanto, o governo federal alega que um projeto não anula o outro. Segundo o coordenador-geral de Acesso à Água do MDS (Ministério de Desenvolvimento Social), Igor Arsky, a transposição de águas é uma obra grande que deve ser feita em muitos anos e as cisternas são obras complementares que resolvem o problema de maneira mais rápida e têm um objetivo diferente.

— O nicho que estamos trabalhando com o sistema de cisternas é o do semiárido. Tem o objetivo de atingir essa população dispersa no território e que tem dificuldade de acesso à água. Trata-se de uma questão de lógica da política pública, que está focando uma população de extrema pobreza. Não é paliativo, é totalmente estruturante. Não há dicotomia, há complementaridade.

Segundo Arsky, o benefício da transposição do Rio São Francisco será basicamente para pessoas das cidades, podendo levar ao desenvolvimento da irrigação em áreas rurais.  Já o objetivo das cisternas é levar água a pessoas que vivem em locais isolados, de difícil acesso.

De acordo com o Ministério da Integração, responsável pela transposição das águas, 55% das obras estão concluídas. A previsão é concluir a transposição do Rio São Francisco em 2015.

O objetivo principal da obra é garantir água para 12 milhões de pessoas em 390 municípios do Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Pernambuco. A previsão é de que o custo total seja de R$ 8 bilhões.

* A jornalista viajou a convite da Fundação Banco do Brasil

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