Empresário Paulo Marinho depõe na PF do Rio sobre suposto vazamento

Ele falará sobre declarações de que o senador Flávio Bolsonaro teria sido avisado com antecedência de operação que envolveria seu funcionário

Paulo Marinho no prédio da Polícia Federal, no Rio de Janeiro

Paulo Marinho no prédio da Polícia Federal, no Rio de Janeiro

Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO 20.05.2020

O empresário Paulo Marinho chegou pouco antes das 14h desta quarta-feira (20) à sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro, onde presta depoimento sobre suas declarações acerca do suposto vazamento de informações sigilosas da PF ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", Marinho, que é ex-apoiador do presidente Jair Bolsonaro, conta que Flávio Bolsonaro foi informado por um delegado da PF sobre informações reservadas da Operação Funda da Onça, em outubro de 2018, quando ele era deputado estadual.

A operação teve acesso a dados de movimentações financeiras de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. Ela só foi deflagrada em 8 de novembro e teria sido retardada para ocorrer apenas após as eleições, segundo o empresário.

O senador Flávio Bolsonaro rebateu a acusação no último domingo (17). O senador classificou a acusação de "invenção" e afirmou que o empresário tem interesse em prejudicá-lo, já que é suplente de Flávio no Senado Federal. Paulo Marinho é pré-candidato à Prefeitura do Rio pelo PSDB. 

MPF abre investigação sobre vazamento de informações da PF

O depoimento de Marinho à Polícia Federal foi solicitado pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Em ofício encaminhado na noite de domingo pelo procurador João Paulo Lordelo Guimarães Tavares à delegada Christiane Correa Machado, do Serviço de Inquéritos Especiais no STF (Supremo Tribunal Federal), a PGR também solicita a oitiva de Miguel Ângelo Braga Grillo, chefe de gabinete de Flávio.

Ainda segundo o relato de Marinho, o delegado que procurou por Braga e Flávio recomendou que o então funcionário fosse demitido. Tanto Queiroz quanto a filha dele, Nathalia Queiroz, lotada no gabinete do então deputado Jair Bolsonaro na Câmara, foram exonerados no dia 15 de outubro daquele ano.

Moro

As acusações aconteceram dias após o pedido de demissão do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. Ele deixou o governo federal afirmando que o presidente Jair Bolsonaro pretendia interferir politicamente na Polícia Federal ao demitir o então diretor-geral Maurício Valeixo.