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Fim de moratória de pesca ameaça boto-rosa da Amazônia, diz bióloga

Especialista teme que animal desapareça, como aconteceu com o boto chinês de Yangtzé em 2006 depois de anos de pesca predatória e poluição

Brasil|Do R7

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Bióloga Vera da Silva, do Inpa, examina boto-rosa, em Uarini, no Amazonas
Bióloga Vera da Silva, do Inpa, examina boto-rosa, em Uarini, no Amazonas

O boto da Amazônia é um mamífero inteligente e amistoso que parece sorrir e se ruborizar como um humano quando se entusiasma.

Mas há quem tema que o maior golfinho de água doce do mundo esteja ameaçado novamente no Brasil, onde pescadores o caçam e matam ilegalmente para usá-lo de isca para o peixe piracatinga.

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Uma moratória legal à pesca da piracatinga terminou no mês passado, o que levou ambientalistas e pesquisadores a pedirem sua renovação – como a bióloga Vera da Silva, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), que trabalha para preservar os botos há 25 anos.

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"Eu até hoje não canso, eu sou encantada cada dia por esses animais. São animais fascinantes", disse Vera enquanto sua equipe usava uma rede para colher botos a serem examinados, medidos, marcados e soltos novamente na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá.

"Hoje nós capturamos esses animais e a gente ficou ouvindo a mãe chamando o filhote e o filhote chamando pela mãe numa relação super forte que existe até que ele se torne independente, depois de 2 ou 3 anos de vida", contou.

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Como outros golfinhos, eles emitem sons semelhantes a assobios através de respiradouros para se comunicarem debaixo da água.

O que os diferencia é uma transformação lenta do cinza para o rosa à medida que envelhecem. O comportamento e a exposição à luz solar também influenciam as mudanças de cor dos botos. Eles podem ficar rosa choque como um flamingo.

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Por serem ativos na corte e no acasalamento, eles deram origem a uma lenda amazônica segundo a qual o boto se transforma em um belo homem à noite para seduzir as mulheres do vilarejo.

A reserva Mamirauá, administrada pela Secretraria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas, se estende por 11 mil quilômetros quadrados de floresta tropical e fica a três dias de barco de Manaus, capital do Estado.

Os botos são levados a um centro de pesquisa flutuante na reserva, onde membros da equipe de Vera da Silva retiram amostras de sangue e usam uma seringa para tirar leite das mães golfinhos para fazer testes.

Embora eles sejam relativamente abundantes, e encontrados nas vastas bacias dos rios Amazonas e Orinoco, Vera teme que os botos amazônicos desapareçam, como aconteceu com o boto chinês de Yangtzé em 2006 depois de anos de pesca predatória e poluição.

"Não queremos que os botos se tornem só uma lenda aqui da Amazônia", disse ela.

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