Kassab defende legalidade de serviços prestados à JBS

Ministro diz que investigações vão provar sua inocência e afirma que dinheiro encontrado em apartamento é consequência do bloqueio de seus bens

PF fez buscas em apartamento de Gilberto Kassab

PF fez buscas em apartamento de Gilberto Kassab

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, disse estar "muito tranquilo" quanto à legalidade dos serviços prestados por sua empresa à JBS e das doações feitas pela companhia ao PSD. A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (19) mandados de busca e apreensão em seus endereços.

Kassab afirmou que espera que o andamento das investigações demonstre que todas as movimentações citadas ocorreram dentro da legalidade.

Empresário relata R$ 20 milhões a Kassab em sete anos de mesada

"A PGR ainda não concluiu seu trabalho - isso está evidente - e certamente esclarecerá todos esses pontos. Esta ainda é uma fase de apuração e eu me coloquei à disposição para colaborar como puder. Todos os documentos relacionados a esse assunto já foram devidamente encaminhados", afirmou Kassab.

Com base na delação da JBS, a Procuradoria-Geral da República aponta que Kassab teria recebido R$ 350 mil reais por meio de uma empresa de sua propriedade, a Yape Consultoria.

O valor total pago, segundo afirmações de Wesley Batista, um dos donos do frigorífico, seria de R$ 30 milhões. Além disso, a investigação apura o pagamento de R$ 28 milhões ao diretório nacional do PSD, que, segundo os delatores, teria por objetivo comprar o apoio da sigla em favor do PT. Kassab nega irregularidades em ambos os casos.

Ao falar especificamente sobre o contrato de sua empresa com a JBS, Kassab insistiu que a operação ocorreu dentro da legalidade e se refere a serviços de locação de caminhões. "Eu estou muito tranquilo quanto à legalidade de todos os serviços prestados pela minha empresa", afirmou.

O ministro insistiu no fato de o contrato ter sido firmado antes de a contratante ser adquirida pela JBS. A empresa em questão era o frigorífico Bertin, que foi alvo de denúncias durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi adquirido em 2009 pela JBS.

"Todos os serviços contratados foram prestados. Foram serviços de naturezas diversas", disse Kassab. "Esta minha empresa atuava no transporte de cargas. E eu tive diversos outros clientes. Toda a documentação vai atestar isso", continuou.

Dinheiro no apartamento

Kassab comentou ainda o fato de a Polícia Federal ter encontrado R$ 301 mil em dinheiro vivo em seu apartamento localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo. "Esta é uma consequência do bloqueio de bens com o qual estou convivendo", afirmou o ministro.

Em setembro deste ano, o juiz José Gomes Jardim Neto, da 9ª Vara da Fazenda Pública da capital, abriu ação de improbidade contra Kassab e determinou o bloqueio de R$ 21 milhões. O caso se refere ao suposto recebimento de valores por meio de caixa 2, entre 2008 e 2014.

João Doria

O governador eleito de São Paulo, João Doria, que escolheu Gilberto kassab como secretário da Casa Civil durante sua gestão no Palácio dos Bandeirantes, divulgou a seguinte nota: "A propósito das medidas tomadas em relação ao ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações Gilberto Kassab, o governo João Doria confia na conduta da Justiça e no amplo direito de defesa do ministro para os esclarecimentos necessários".

O PSD, de Kassab, foi o primeiro partido em São Paulo a fechar apoio à candidatura de João Doria. O ministro, inclusive, chegou a ser cotado para vice. Além de ministro da Ciência e Tecnologia do governo Temer, Gilberto Kassab foi prefeito de São Paulo entre 2006 e 2012 e ministro das Cidades do governo Dilma Rousseff entre 2015 e 2016. É presidente nacional do PSD, partido que fundou em 2011.