Brasil Mutirão do Emprego oferecerá 6 mil vagas em agosto

Mutirão do Emprego oferecerá 6 mil vagas em agosto

Oportunidades são para açougueiro, padeiro, confeiteiro, operador de caixa, entre outros

Mutirão realizado em março, no centro de São Paulo, atraiu 15 mil candidatos

Mutirão realizado em março, no centro de São Paulo, atraiu 15 mil candidatos

Fabio Mendes/UGT/Divulgação

Está desempregado e quer conseguir uma vaga no segundo semestre? Em agosto haverá mutirão de emprego no Vale do Anhangabaú, na região central da capital de São Paulo. A data ainda não foi definida. O evento é promovido pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), em parceria com os sindicatos dos Comerciários e dos Padeiros.

Serão oferecidas vagas para os cargos de açougueiro, padeiro, confeiteiro, operador de caixa, vendedor de loja e de supermercado, repositor, operador de telemarketing e gerente de loja.
Para participar é preciso levar os seguintes documentos: RG, CPF, carteira profissional, comprovante de residência e currículo (veja dicas abaixo).

A ajudante de cozinha Maria Beserra da Silva, 56 anos, começou a procurar emprego em maio deste ano, depois da morte de sua mãe, em abril. “Eu parei de trabalhar em 2013 para cuidar dela. Agora quero voltar ao mercado”, conta.

Maria afirma que já fez algumas entrevistas, mas ainda não obteve sucesso. “Meu filho está na mesma situação. Na semana passada, ele entregou 22 currículos e não teve nenhuma resposta até agora. ” O filho dela, Jackson Adriano Oliveira, é controlador de acesso (porteiro) e está desemprego há dois anos. Ele concluiu apenas o ensino médio e tem curso de computação.

Outro profissional, Israel Carneiro, 44 anos, já trabalhou como ajudante de serviços gerais, porteiro e orientador de loja, seu último emprego em uma rede de farmácias. Desempregado há quatro anos, entregou seu currículo no último mutirão, fez algumas entrevistas, e também continua aguardando uma oportunidade.

Carneiro chegou a fazer um curso gratuito de controlador de acesso, oferecido pela UGT e sindicatos, para melhorar o seu currículo, durante o período que está afastado do mercado.

“Se está difícil para todo mundo, imagina para quem tem antecedente criminal. Errei, cumpri pena, mudei de vida, mas as empresas não entendem isso. Acham que eu ainda tenho ligação com as pessoas que ficaram na prisão. ”

Baixa qualificação e currículo falso são problemas de candidatos

A UGT e os sindicatos promoveram três mutirões de emprego: em junho e agosto de 2018 e em março deste ano. Somando, eles ofertaram 11.800 vagas e receberam 27.500 candidatos. Apesar de os números expressivos, apenas 6.000 cargos foram preenchidos. O motivo, segundo Ricardo Patah, presidente da UGT, era a baixa qualificação dos profissionais e os currículos apontarem mais habilidades do que os candidatos dispunham.

Patah: falta qualificação

Patah: falta qualificação

Fabio Mendes/UGT/Divulgação

“A maioria das oportunidades nos dois primeiros mutirões exigia apenas ensino fundamental e experiência básica em áreas como açougueiro e caixa de supermercado. Apenas no último, foi solicitado ensino médio completo e conhecimento em informática. E, mesmo assim, não conseguimos preenche-las”, diz Patah.

Outro problema apontado pelo dirigente sindical foi o currículo dos candidatos. “Encontramos muitos currículos que traziam uma verdadeira novela. As empresas não dão emprego se percebem que o candidato está enfeitando demais. É preciso ser verdadeiro e objetivo. ”

A baixa qualificação dos candidatos preocupou as entidades, que promoveram alguns cursos de qualificação gratuitos nos meses seguintes. Entre eles: servente de pedreiro, auxiliar de mecânico de motos e confeiteiro. Ao todo foram oferecidas 1.300 vagas, em parceria com o Senai e governo do Estado de São Paulo, nas unidades do Centro Paula Souza.

Alfredo de Jesus Antonio da Silva, 57 anos, foi um dos profissionais que decidiu investir na capacitação. Fez o curso de confeiteiro, mesmo fugindo da sua área de atuação: porteiro. “Pretendo abrir meu próprio negócio futuramente como confeiteiro. Atualmente eu faço alguns pratos em casa, como pavê e mousse, para treinar. Também ajudo minha mulher na cozinha. ”

Silva está desempregado há quatro meses. Perdeu o seu posto de trabalho quando a sua empresa, que era terceirizada, foi vencida por outra companhia na concorrência, e decidiu dispensar todos os funcionários da gestão anterior.
“Fiz algumas entrevistas, continuo enviando currículos, mas ainda não fui chamado”, diz.

Currículo deve ‘falar a verdade’ e ser direto

Existem três regras básicas para montar um currículo eficiente, segundo Edson Carli, CEO da Eu2B, plataforma educacional de carreiras: dizer apenas a verdade, não “gourmetizar as palavras” e escrever as informações mais relevantes nas primeiras três ou quatro linhas.

Carli: currículo curto e verdadeiro

Carli: currículo curto e verdadeiro

Douglas Lucenna/Divulgação

“Tudo o que colocamos no currículo é passível de auditoria e verificação. Se você falar que trabalhou numa empresa e a companhia resolver checar, isso precisa ser verdade. Outro ponto que vale a pena falar é sobre o idioma. Não existe nível iniciante ou intermediário. Ou você fala ou não. Se você não fala, mas escreve ou lê, deixe isso bem claro. ”

Assim como em várias outras situações da vida, nos currículos, segundo o especialista, também vem ocorrendo a “gourmetização das tarefas”. “Porteiro passou a ser controlador ou gerente de acessos, por exemplo. Não precisa enfeitar. Quanto mais claro você for sobre sua atuação, melhor. ” 

Currículos longos também são descartados logo na triagem, afirma Carli. “Imagine o volume de currículos que chega para esses profissionais da triagem a cada vaga divulgada. É preciso ser o mais objetivo possível para passar por essa fase e seguir para a entrevista. ”

O ideal é que o documento tenha, no máximo, duas páginas, com fonte tamanho 11 e contenha apenas informações pertinentes. No alto, logo no início, é preciso deixar em destaque o que realmente é importante: a sua formação, experiência, área que quer atuar e, se necessário, o quanto quer ganhar.

“Se você tem doutorado, mestrado ou nível superior, não precisa colocar sua formação no ensino médio porque isso está subentendido. Sua experiência de 7 anos atrás não é mais importante porque você não é a mesma pessoa e profissional daquela época. ”

Buscar qualificação, pelo menos, a cada três anos, é fundamental para manter o currículo atrativo, de acordo com Carli. “Para o recrutador, é mais importante mostrar que você está se reciclando do que conhecer o conteúdo que você adquiriu no curso. ”

E esta regra vale para todas as profissões. “Um padeiro que está desempregado há um ano e resolve fazer um curso simples sobre prática de manuseio de alimentos e normas de higiene, por exemplo, será melhor avaliado pelo recrutador do que outro que não procurou se reciclar. ”