Número de greves caiu 23% em 2019 de acordo com balanço do Dieese

Entre os motivos apontados para essa queda está o medo do trabalhador perder o emprego e o enfraquecimento dos sindicatos

Greve de ônibus em São Paulo

Greve de ônibus em São Paulo

Peter Leone/O fotográfico/Estadão Conteúdo

Um estudo divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que diminui que o número de greves deflagradas tanto no setor público como no privado teve uma queda de 23% em 2019.

De acordo com o estudo, o Brasil registrou 1.118 paralisações de janeiro a dezembro, em 2018 foram 1.453 casos. O balanço do Dieese mostra que o número de greves atingiu o maior patamar entre os anos de 2009 a 2016. Nos últimos três anos as paralisações têm caído.

O número de trabalhadores que cruzaram os braços no setor público no ano passado foi de 566 greves, várias contra a reforma da previdência e administrativa contra 792 no ano anterior, uma queda de 29%. Na iniciativa privada, foram 548 greves em 2019, redução de 17%.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, um dos responsáveis pela diminuição do número de greves é a situação do emprego no Brasil. "Num cenário em que há 28,5 milhões de pessoas subutilizadas e a informalidade cresce assustadoramente, os empregados com carteira assinada pensam duas vezes antes de fazer greve." A prioridade é manter o emprego.

Outro fator apontado pelo jornal é o enfraquecimento dos sindicatos após a reforma trabalhista — os repasses financeiros às instituições caiu drasticamente.

Segundo o Dieese não é possível prever se a queda será mantida em 2020.