Brasil Pretos e pardos são mais pobres e sofrem mais com violência, diz IBGE

Pretos e pardos são mais pobres e sofrem mais com violência, diz IBGE

A taxa de pobreza das pessoas brancas é 15,4%, frente a 32,9% entre pretos ou pardos, sendo que os jovens sofrem ainda com altas taxas de homicídio 

  • Brasil | Do R7

Enterro do músico Evaldo dos Santos Rosa, de 46 anos, no Rio

Enterro do músico Evaldo dos Santos Rosa, de 46 anos, no Rio

WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO - 10/04/2019

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quarta-feira (13) mostram que a proporção de pessoas pretas ou pardas com rendimento inferior às linhas de pobreza definidas pelo Banco Mundial, que atualmente é de US$ 5,50 por dia, foi maior que o dobro das pessoas brancas em 2018.

Com base neste índice, a taxa de pobreza das pessoas brancas era 15,4%, frente a 32,9% entre as pretas ou pardas. Se for considerada a linha de extrema probreza, que engloba pessoas que vivem com menos US$ 1,90 por dia, a diferença também é expressiva, sendo de 3,6% de pessoas brancas com renda neste patamar, frente a 8,8% de pessoas pretas ou pardas.

Arte/R7

O estudo também aponta que além de serem mais pobres, pretos e pardos morrem de forma violenta com mais frequência no país. "Em todos os grupos etários, a taxa de homicídios da população preta ou parda superou a da população branca", diz o IBGE.

Os números são ainda mais discrepantes quando é feito um recorte de jovens pretos ou pardos com idade entre 15 e 29 anos, onde este grupo registra uma taxa de mortalidade que chega a 98,5 vítimas para cada 100 mil habitantes, frente a 34 vítimas por 100 mil habitantes de jovens brancos da mesma idade.

Se a pessoa é preta ou parda, tem entre 15 e 29 anos e é do sexo masculino, a taxa chega a impressionantes 185 mortes por 100 mil habitantes.

"Podemos notar que existe uma estrutura que não é elaborada para a manutenção da vida de negros e negras. Soma-se a isso a ideia de que essa população é a que está sob maior vulnerabilidade social, pois não tem atendidos de forma plena seus direitos básicos, como saúde, educação, saneamento básico, por exemplo. Essa vulnerabilidade gera diversos riscos e favorece a incidência de um índice maior de violência e de letalidade", analisa Heloise da Costa, do Instituto Identidades do Brasil, que desenvolve trabalhos para promoção da igualdade racial no país.

Últimas