Brasil Saiba como construir uma boa pontuação no cadastro positivo

Saiba como construir uma boa pontuação no cadastro positivo

Com as mudanças no projeto sancionado pelo presidente em abril deste ano, o brasileiro terá que ficar atento caso queira adquirir produtos de crédito

Saiba como ter uma boa pontuação no cadastro positivo

Cadastro positivo começará a valer em outubro

Cadastro positivo começará a valer em outubro

Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress/18.09.2018

As mudanças do cadastro positivo, que devem entrar em vigor daqui a quatro meses, têm o objetivo de formar um banco de dados para “reconhecer” os consumidores que são bons pagadores.

Ou seja, aqueles que costumam pagar suas dívidas em dia e não estão inadimplentes. Isso permite que as instituições tenham um perfil mais detalhado do comportamento e histórico do pagador.

Leia também: Cadastro positivo abre brecha para consumidor poder limpar o nome 

O cadastro existe desde 2011 e entrou em vigor dois anos depois. No entanto, a iniciativa teve pouca adesão em seu início. Agora, com o novo projeto sancionado em abril, os bancos e outras instituições financeiras podem incluir o nome de consumidores nessa lista sem a necessidade de autorização prévia. Mas, vale lembrar,  se o consumidor não quiser permanecer no cadastro, ele pode pedir para sair.

Gustavo Marquini, CEO da Foregon, fintech especializada em crédito, comenta que optar por tirar o nome do cadastro positivo não é necessariamente ruim, mas também não é bom. “A instituição financeira vai ter que olhar para essa pessoa usando uma lupa um pouco maior, para tentar entender quem é essa pessoa. Mas também não é uma coisa boa aos olhos de bancos e outras instituições. O que acontece é que serão procuradas outras fontes de informação para tentar avaliar o comportamento financeiro daquela pessoa."

Como ter um bom score

Para Marquini, é importante ressaltar que o primeiro passo para ter uma boa pontuação no cadastro positivo é ter o nome limpo. “É a primeira verificação que as instituições de crédito realizam para entender se um consumidor é um bom pagador”, diz. Segundo ele, apesar de parecer óbvio, pagar as contas em dia é essencial, pois “caso o consumidor tenha um histórico de atraso”, o acesso aos produtos financeiros “fica mais difícil”.

Ele conta que é importante também ter contas em seus nomes, porque “um banco precisa conhecer seus hábitos”. Ele explica que sem contas bancárias e boletos simples, como telefone, água e luz, as instituições não conseguem gerar o score, o que dificulta o acesso aos produtos.

Segundo o CEO, o consumidor tem que ficar atento com a frequência que realiza pedidos de crédito. Solicitar diversos cartões de crédito, empréstimos ou aumento de limite ao mesmo tempo “pode derrubar o score”. Isso porque os sistemas bancários “entendem que pode se tratar de ação fraudulenta, e a nota é baixada para que o produto não seja liberado”. 

Além disso, ele ressalta que quando o requerimento de um produto financeiro é recusado, o score pode baixar também. “Porque as instituições entendem que ele tentou acesso e foi recusado. Então eles se perguntam ‘por quê? ’, levanta uma anteninha no banco”, explica.

Nome sujo

Uma grande preocupação é justamente para aqueles que no momento atual estão inadimplentes. Ou seja, que não conseguiram pagar uma determinada dívida e agora têm seus nomes em empresas como Serasa e SPC.

Marquini conta que, com o cadastro positivo, mesmo se a pessoa tiver o nome sujo, ela ainda pode ser considerada uma boa consumidora, porque se trabalha com o histórico de pagamento, diferente do cadastro negativo, que sinaliza se a pessoa não honrou um compromisso específico.

“As pessoas passam por problemas financeiros em algum momento determinado da vida e isso é normal que aconteça. Por exemplo, uma pessoa que não conseguiu pagar o financiamento de um veículo e está devendo R$ 5 mil. Mas todas as suas outras contas são pagas em dia. Ela é uma boa consumidora, uma boa pagadora. O que aconteceu foi um imprevisto na vida, mas no histórico de pagamento ela é uma boa consumidora”, explica.

As mudanças no cadastro positivo começam a valer a partir do mês de outubro, seis meses após o presidente da república, Jair Bolsonaro, ter sancionado o projeto de lei, em 8 de abril deste ano.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas