Brasil Veja como é feita a auditoria no sistema de urna eletrônica

Veja como é feita a auditoria no sistema de urna eletrônica

O processo de auditoria começa 30 dias antes da eleição. Entre as etapas, há testes com o uso de cédulas para conferência

Urna eletrônica

Urna eletrônica

Antonio Augusto/Ascom/TSE

A possibilidade de auditar o sistema de voto por urna eletrônica em diferentes etapas do processo é um dos argumentos apresentados pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, para manter o atual modelo e não adotar o voto impresso. Ele defende que o sistema é seguro e evita fraudes.

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O tema está em discussão em razão da tramitação de projetos no Congresso que pedem a adoção do voto impresso. Uma consulta pública divide opiniões sobre o tema.

O processo de auditoria começa 30 dias antes e, entre as etapas, há testes com o uso de cédulas para conferência com os votos registrados na urna eletrônica.

Veja abaixo as etapas de checagem, segundo o TSE:

30 dias antes

O processo acontece em todos os estados e começa cerca de um mês antes da data da eleição. Os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) devem em sessão pública, até 30 dias antes das eleições, nomear uma Comissão de Auditoria de Funcionamento das Urnas Eletrônicas.

Essa comissão deve ser composta por: um juiz de direito, que será o presidente; e, no mínimo, seis servidores da Justiça Eleitoral, sendo pelo menos um da Corregedoria Regional Eleitoral, um da Secretaria Judiciária e um da Secretaria de Tecnologia da Informação.

O procurador regional eleitoral deve indicar, então, um representante do Ministério Público para acompanhar os trabalhos da comissão. Os partidos políticos, as coligações, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil, o Congresso Nacional, o STF (Supremo Tribunal Federal), a CGU (Controladoria-Geral da União), o Departamento de Polícia Federal, a SBC (Sociedade Brasileira de Computação), o Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) e os departamentos de Tecnologia da Informação de universidades também podem indicar representantes para acompanhar os trabalhos do grupo.

20 dias antes

Os TREs devem informar, em edital e com divulgação nos respectivos sites, até 20 dias antes das eleições, o local onde será realizada a auditoria.

No mesmo prazo, eles devem expedir ofícios aos partidos políticos comunicando sobre o horário e o local onde será realizado o sorteio das urnas que serão auditadas na véspera do pleito. O ofício também deve conter o horário e o local da auditoria no dia da eleição, informando sobre a participação de seus representantes.

Um dia antes

Na véspera das eleições, a Justiça Eleitoral deve sortear, em cerimônia pública, algumas seções eleitorais de todo o país. O número de urnas a ser auditado varia, de três a cinco, dependendo do número de seções eleitorais que a unidade da Federação (UF) possuir.

Ainda no sábado, as urnas eletrônicas escolhidas devem ser retiradas das seções de origem e instaladas imediatamente nos TREs, em salas com câmeras de filmagem. As urnas retiradas das seções são, então, substituídas por novos equipamentos.

A comissão deve providenciar o número de cédulas de votação, por seção eleitoral sorteada, que corresponda a, aleatoriamente, entre 75% e 82% do número de eleitores registrados na respectiva seção eleitoral. As cédulas deverão ser preenchidas por representantes dos partidos políticos e das coligações e guardadas em urnas de lona lacradas.

Na ausência dos representantes dos partidos políticos e das coligações, a comissão providencia o preenchimento das cédulas por terceiros, excluídos os servidores da Justiça Eleitoral. As cédulas deverão ser preenchidas com os números correspondentes a candidatos registrados no pleito, a votos nulos, a votos de legenda, e deverão existir cédulas com votos em branco.

No domingo

No dia da eleição, a “votação paralela” começa no mesmo horário da votação oficial. A partir da impressão da zerésima pela urna (prova de que não há nenhum voto dentro do equipamento), todos os votos das cédulas preenchidas no dia anterior são digitados, um por um, na urna eletrônica e também num sistema paralelo, em um computador. As câmeras filmam os números digitados no teclado da urna.

Ao final da votação, a urna imprime um Boletim de Urna, e o sistema auxiliar também emite um boletim. Os dados dos dois são comparados pela comissão de auditoria, e é verificado se a urna funcionou normalmente, bem como se foram registrados exatamente os votos das cédulas digitados na urna.

Todo o processo é monitorado e seguido pelos representantes indicados, e pode ser acompanhado também por qualquer interessado. Muitos TREs inclusive transmitem a auditoria ao vivo, pelo YouTube.

Além disso, é contratada pelo TSE uma empresa de auditoria, que acompanha o procedimento em todo o país. Essa fiscalização é realizada em todas as fases dos trabalhos nos Tribunais Regionais Eleitorais.

O TSE destaca que, desde a sua criação, esse processo sempre atestou a integridade dos sistemas da urna eletrônica.

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