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‘Agora depende deles, não mais de nós’, diz Lula sobre acordo entre Mercosul e União Europeia

Presidente brasileiro destacou que os europeus que se resolvam com a França, diante da dificuldade nas negociações

Brasília|Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

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Lula e Ursula von der Leyen
Lula discutiu acordo entre Mercosul-UE com Ursula von der Leyen Ricardo Stuckert / PR / 12.06.2023

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (14) que o Brasil está pronto para assinar o acordo entre Mercosul e a União Europeia. De acordo com o chefe do Executivo, “agora depende” dos europeus e, mais especificamente, da França, que é a principal opositora às negociações. Se concluído, o tratado vai formar uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, com quase 720 milhões de pessoas, 20% da economia global e 31% das exportações mundiais de bens.

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“Nós estamos prontos a firmar o acordo entre Mercosul e União Europeia. Agora, depende da União Europeia. Porque nós aqui já decidimos o que queremos e já comunicamos. A União Europeia que se vire com a França, que tem dificuldade com os produtos agrícolas brasileiros. Certamente tem medo de disputar com nosso queijo de Minas, com nosso vinho do Rio Grande do Sul”, disse Lula.

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“Eu já liguei para a Ursula von der Leyen [presidente da Comissão Europeia], dizendo para ela que está pronto. Nós, do Mercosul, estamos dispostos a assinar o acordo. É só vocês quererem que nós assinamos. Agora depende deles, não depende mais de nós”, acrescentou o presidente. A declaração foi dada durante evento, em Brasília.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, as negociações em torno do acordo devem ser retomadas pelos técnicos a partir deste semestre. O tratado pode permitir a empresas brasileiras serem mais competitivas e terem mais espaço no mercado europeu. Além disso, a expectativa é que favoreça instrumentos de diálogo e cooperação política em diversos temas, como mudanças climáticas e segurança pública.

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Entre os principais obstáculos para a conclusão da parceria, estão exigências ambientais dos europeus e necessidade de maior presença de empresas brasileiras na Europa. Um dos países europeus mais críticos ao acordo é a França. Quando veio ao Brasil em março deste ano, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que não defende o acordo e avaliou o texto como “péssimo”. Para ele, “precisa ser renegociado do zero”.

Há entraves também nas questões ambientais. Os países da Europa querem a garantia de que a intensificação do comércio entre os blocos não resultará no aumento de destruição ambiental no Brasil e nas demais nações do Mercosul. Em contrapartida, o lado brasileiro é a favor de que não haja distinção na aplicação de eventuais sanções, ou seja, de que ambos os lados sejam penalizados da mesma forma em caso de descumprimento.

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Na visão do governo brasileiro, a medida pode prejudicar a indústria nacional, uma vez que o Executivo adquire produtos de diversas áreas, como saúde e agricultura. Em uma eventual participação de países europeus nas licitações, o Brasil poderia ter a produção interna prejudicada ou não suficientemente estimulada. A contraproposta pede a revisão de condições estabelecidas para essa categoria.

Novo bloco?

Lula defendeu, ainda na cerimônia, incentivos à integração econômica dos países da América Latina. ”Nosso futuro está próximo de nós. É com essa gente que pode comprar produtos manufaturados que a indústria brasileira produz ou com essa gente que pode ser sócios na construção de outras empresas que queremos criar, é que a gente vai criar um bloco forte, com PIB muito forte e que vai ter inserção no conjunto das negociações mundiais”, disse.

“O Brasil não perderá essa chance... Não vamos perder uma oportunidade de fazer com que o país vire um protagonista internacional no mundo da política, dos negócios e do crescimento econômico”, acrescentou o presidente, sem dar mais informações a respeito do novo bloco.

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