O Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou um recurso para aumentar as penas de Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, condenados a 78 e 59 anos de reclusão, respectivamente, pelo assassinato de Marielle e seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.No recurso, promotores da Força-Tarefa do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado para o caso pedem pena máxima para os dois homicídios e um tentado: 30 anos para Anderson e Marielle, e 20 para Fernanda Chaves, que também estava no carro. Isso somaria 80 anos mais dois anos pela receptação do carro Cobalt utilizado no dia do crime.Em 31 de outubro, a Justiça condenou Lessa a 78 anos, 9 meses e 30 dias de prisão, e Élcio Queiroz, a 59 anos, 8 meses e dez dias. Eles também devem pagar R$ 706 mil de indenização aos parentes de Anderson e Marielle.No documento encaminhado ao 4º Tribunal do Júri, o Ministério Público destaca a necessidade de revisão das penas, sob o argumento de que aspectos fundamentais relacionados à gravidade dos crimes, como a repercussão internacional e o modus operandi, não foram considerados adequadamente na sentença em primeira instância.Entre os pontos apresentados pela força-tarefa estão o uso de arma automática e silenciador, a emboscada planejada no centro do Rio e a destruição de provas pelos acusados. No pedido, os promotores de Justiça ressaltaram a comoção global gerada pelo caso, que impactou negativamente a imagem do Brasil no cenário internacional.A apelação também pede maior rigor na dosimetria das penas, incluindo a revisão da tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle, que sobreviveu ao ataque, e a ampliação da punição pelo crime de receptação do veículo utilizado no crime.