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Embaixada demite dois funcionários após vazamento de hospedagem de Bolsonaro

Ex-presidente ficou hospedado por dois dias após ter passaporte retido pela PF; motivo dos desligamentos não foi divulgado

Brasília|Gabriela Coelho e Rafaela Soares, do R7, em Brasília

Imagens foram divulgadas em março
Imagens foram divulgadas em março Imagens foram divulgadas em março (Via The New York Times - 12.02.2024)

Dois funcionários brasileiros foram demitidos da Embaixada na Hungria uma semana após o vazamento de imagens da hospedagem de Jair Bolsonaro. A informação foi confirmada pelo R7, mas não houve divulgação sobre o motivo dos desligamentos nem se existe ligação com a divulgação dos vídeos. O ex-presidente se hospedou no prédio do país estrangeiro por dois dias em fevereiro deste ano após ter o passaporte confiscado pela PF (Polícia Federal). A reportagem entrou em contato com os representantes húngaros e aguarda respostas. O espaço permanece aberto. 

Segundo a fonte ouvida pela reportagem, os funcionários faziam parte da equipe de manutenção geral e de assessoramento da embaixada. O ex-chefe do Executivo é alvo de diversas investigações e não poderia ser preso em uma embaixada estrangeira porque o local é considerado um espaço estrangeiro dentro do país, fora do alcance das autoridades nacionais.

Pelas imagens é possível ver que Bolsonaro chegou ao local na noite de segunda-feira (12) e partiu na tarde de quarta-feira (14). Segundo a reportagem da norte-americana New York Times, a estada na embaixada sugere que o ex-presidente estava tentando alavancar a amizade com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

Estadia

Um funcionário da embaixada húngara confirmou os planos de receber Bolsonaro no local. Segundo o New York Times, às 21h34 do dia 12, um carro preto apareceu no portão da embaixada. Um homem saiu do veículo batendo palmas para chamar a atenção de alguém lá dentro. Três minutos depois, Miklós Halmai, embaixador do país no Brasil, abriu o portão e indicou onde estacionar.

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Digite a legenda da foto aqui
Digite a legenda da foto aqui Digite a legenda da foto aqui (Via The New York Times - 13.02.2024)

O jornal diz que Bolsonaro e dois homens, que parecem ser seguranças, saíram do veículo e o embaixador os conduziu para dentro. Depois de conversar brevemente, os quatro homens entraram no elevador. Nas duas horas seguintes, funcionários da embaixada fizeram várias viagens em direção a uma área do edifício onde havia dois apartamentos de hóspedes. Eles carregaram roupas de cama, água e outros itens, até que a atividade parou por volta das 23h40.

Na manhã seguinte, às 7h26, Halmai saiu da área residencial e usou seu telefone, de acordo com a reportagem. Meia hora depois, o embaixador e outro homem trouxeram uma cafeteira para a área residencial. Durante o resto do dia, os funcionários húngaros percorreram o terreno da embaixada. Bolsonaro passeou pelo estacionamento da embaixada com um de seus seguranças no início da noite.

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Digite a legenda da foto aqui
Digite a legenda da foto aqui Digite a legenda da foto aqui (Via The New York Times - 12.02.2024)

Por duas vezes, os seguranças de Bolsonaro foram embora. "Perto do almoço, um guarda voltou com o que parecia ser uma pizza. Às 20h38, um guarda voltou ao estacionamento da embaixada com outro homem no banco de trás. Carregando uma sacola, aquele homem entrou na área residencial onde Bolsonaro parecia estar hospedado. O homem saiu 38 minutos depois. Quando o carro partiu, um homem parecido com Bolsonaro saiu da área residencial para assistir", diz a matéria.

Leia mais: É ilógico que visita de Bolsonaro a embaixada fosse tentativa de fuga, diz defesa a Moraes

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No dia 14 de fevereiro, Bolsonaro é visto pela primeira vez nas imagens da câmera de segurança às 16h14, quando ele e seus dois guardas saíram da área residencial carregando duas mochilas e se dirigiram diretamente para o carro. O embaixador da Hungria seguiu atrás, observou o carro partir e acenou em despedida, mostram as imagens.

Investigações

Bolsonaro é alvo de diversas investigações. No dia 19 de março, o ex-presidente foi indiciado pela PF pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações no caso que apura a falsificação de certificados de vacinas da Covid-19. Ambos os delitos estão previstos no Código Penal, e a pena máxima para os dois crimes somados é de 15 anos de prisão.

Saiba mais: PF indicia Bolsonaro, Cid e outras 15 pessoas em caso de falsificação em carteiras de vacinação

Segundo a PF, Bolsonaro cometeu o crime de inserção de dados falsos em sistema de informações em 21 de dezembro de 2022, ao incluir o registro de vacinação contra a Covid-19 dele e da filha Laura Bolsonaro no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde.

Bolsonaro é investigado pela tentativa de golpe de Estado, depois de perder as eleições presidenciais de 2022. Também há apuração sobre as vendas ilegais de joias presenteadas por autoridades internacionais. A defesa do ex-presidente nega participação nos crimes.

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