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Entenda como lei europeia sobre IA pode servir de marco para regulamentação no Brasil

No Brasil, projeto que discute o uso da tecnologia deve ser alvo de discussão no Congresso até o fim do ano

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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Projeto sobre regulamentação da IA está entre os destaques na pauta do Congresso Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Em meio à corrida para a regulamentação da IA (inteligência artificial), no cenário internacional, a União Europeia se tornou líder ao aprovar uma legislação sobre o tema em março deste ano. A lei, que estabelece obrigações para IA com base em seus riscos e impactos, pode se tornar marco global para regulação em outros países. No Brasil, o projeto de lei que discute o uso da tecnologia segue em tramitação em uma comissão especial no Senado e é apontado como um dos possíveis destaques da pauta do Congresso no segundo semestre.

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Segundo especialistas ouvidos pelo R7, o país tem avançado no tema e segue uma tendência global na discussão. O pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Luis Claudio Kubota explica que o texto em discussão no Senado tem forte inspiração na norma da União Europeia, apresentando no texto aspectos como obrigações, restrições, regime de responsabilidade, além do formato regulatório.

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Apesar disso, Kubota diz parecer faltar um entendimento geral sobre a matéria, o que pode ser justificado por visões distintas em relação à IA, sendo elas a do setor empresarial e acadêmico, e de outro lado, a de juristas e sociedade civil. O especialista afirma, ainda, que a regulamentação da tecnologia deve ter trabalhada para melhorar a prestação de serviços públicos e incentivar a inovação, por exemplo.

Para o especialista em comunicação política João Cândido, apesar de servir como base para a regulamentação no Brasil, a legislação europeia precisa sofrer alterações para se adaptar ao cenário brasileiro. As modificações incluem ajustes para atender às especificidades econômicas e sociais do Brasil e desenvolvimento de infraestrutura e capacitação necessárias para implementar e monitorar as novas regras.

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Cândido aponta, também, que para avançar no tema, o poder legislativo no Brasil deve estabelecer definições claras para termos relacionados à IA, como “inteligência artificial”, “algoritmos” e “dados pessoais”, a fim de evitar ambiguidades. Além de criar um equilíbrio entre a regulamentação e a promoção da inovação.

De acordo com o Parlamento Europeu, as novas regras proíbem funções da IA que ameacem os direitos dos cidadãos, “incluindo sistemas de categorização biométrica baseados em características sensíveis e a recolha não direcionada de imagens faciais da internet ou de televisão em circuito fechado para criar bases de dados de reconhecimento facial”.

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Além disso, a legislação define que a tecnologia deve cumprir requisitos de transparência e informar quando imagens, áudios ou vídeos forem feitos pela IA.

O Parlamento Europeu define inteligência artificial como a “capacidade que uma máquina tem para reproduzir competências semelhantes às humanas, como é o caso do raciocínio, aprendizagem, planejamento e criatividade”.

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Processo no Brasil

Apesar do avanço, há um receio em possíveis restrições que limitem o desenvolvimento tecnológico no país, com base na regulamentação europeia. A especialista em relações governamentais Bia Nóbrega aponta que o risco não está no atraso em regulamentar a IA, mas sim na forma como essa regulamentação será feita.

“Uma regulação excessivamente restritiva pode sufocar a inovação, afastando investimentos e retardando o desenvolvimento de tecnologias que são cruciais para nossa competitividade global. Por outro lado, uma abordagem mais equilibrada e flexível, que incentive a inovação enquanto protege direitos fundamentais, pode colocar o Brasil na vanguarda tecnológica, atraindo investimentos e promovendo o crescimento econômico”, disse.

Nóbrega fala, ainda, sobre a oportunidade que o Brasil tem em se tornar líder em inovação tecnológica na América Latina, podendo fortalecer a posição no cenário internacional e manifestando um comprometimento com o desenvolvimento tecnológico de “forma responsável e visionária”.

“O Brasil está seguindo um caminho que pode ser vantajoso se for trilhado com sabedoria, aproveitando o tempo para desenvolver uma regulamentação que proteja os cidadãos e o mercado, sem sufocar a inovação”, completou a especialista em projetos políticos Andressa Kammoun.

Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial

No contexto da evolução da IA, o Ministério da Ciência elaborou a Ebia (Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial) que tem por objetivo “nortear” as ações do governo brasileiro para o desenvolvimento de soluções que envolvem a tecnologia, além de potencializar sua utilização para promover o avanço científico.

De acordo com o pesquisador Luis Claudio Kubota, a legislação, regulamentação e uso ético da IA compõem o primeiro eixo da Ebia, em que são destacados aspectos como a importância de encontrar um equilíbrio entre proteção dos direitos, incentivos tecnológicos e estabelecimento de parâmetros legais para fornecer segurança jurídica.





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