Brasília Família dos Estados Unidos adota cinco irmãos no Distrito Federal

Família dos Estados Unidos adota cinco irmãos no Distrito Federal

Grupo de irmãos estava em um abrigo de Ceilândia e já embarcou rumo à nova vida nos Estados Unidos

  • Brasília | Hellen Leite, do R7, em Brasília

Grupo de irmãos, duas meninas e três meninos, foi adotado por uma família dos Estados Unidos

Grupo de irmãos, duas meninas e três meninos, foi adotado por uma família dos Estados Unidos

Andre Borges/Agência Brasília

Após quatro anos de espera, um grupo de cinco irmãos do Distrito Federal foi adotado por uma família dos Estados Unidos. As crianças, que têm entre 5 e 13 anos de idade, estavam acolhidas na Casa da Criança Batuíra, em Ceilândia, mas já embarcaram rumo à América do Norte.

O casal de Massachusetts, uma professora de educação infantil e um analista de sistemas, já tem quatro filhos, três biológicos e uma adotada. Ainda assim, após conhecer a história e ver fotos dos irmãos brasileiros, não teve dúvidas quanto ao processo de adoção.

"A mãe e o pai se apaixonaram pelas crianças e estavam muito seguros da decisão. Eles já tinham adotado uma menina congolesa e gostaram da experiência", comenta a pedagoga Vânia Maria Valadão, da Comissão Distrital Judiciária de Adoção do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal). O processo de adoção das crianças contou com a atuação do organismo internacional Lifeline Children’s Services.

“Observamos que a experiência prévia da maternidade e da paternidade parece ter tornado o estabelecimento de vínculos mais fácil e natural. O casal demonstrou habilidade para atender às diferentes demandas que surgiram e ainda para conduzir as tarefas cotidianas, sempre de modo afetivo e disponível para a aproximação e vinculação com as crianças”, reforça a assistente social e secretária executiva da CDJA, Thaís Botelho.

Nem mesmo o idioma foi obstáculo para a adoção dos irmãos, apesar do receio inicial das crianças. Antes do contato com os pais americanos, eles passaram por preparação com psicoterapia e aulas de inglês. "Elas tiveram uma noção básica do idioma, mas também se comunicavam com mímica e apontando objetos. Os pais sabiam como tratá-los, sabiam que tinham que falar devagar, olhar nos olhos. Também tentamos passar para as crianças que quando temos amor, carinho e dedicação, a gente consegue se comunicar, sim, apesar do idioma", ressalta Valadão.

Processo de habilitação

Apesar da disposição, o casal precisou esperar o processo de habilitação para adoção nos EUA, pois a habilitação no Brasil somente pode ocorrer após o deferimento do pedido no país de origem. Eles esperaram quase dez meses para finalizar o processo.

Foram realizados 14 encontros de preparação no processo de adoção, antes da chegada dos adotantes, e outros dez durante o estágio de convivência com a família no Brasil. Essa é uma etapa importante para a transição do acolhimento institucional à vinculação a uma nova família, explicou Botelho. Um dos filhos do casal, de 22 anos, também veio ao Brasil para o estágio de convivência.

A história da adoção inspirou a escrita do conto infantil Seguindo em Frente, de autoria de Thaís Botelho com ilustrações de Érika Duarte, dado de presente aos irmãos e sua nova família como lembrança de suas vivências no Brasil.

Adoção no Brasil

Atualmente, 29,7 mil crianças e jovens estão acolhidos em abrigos e orfanatos em todo o Brasil. No entanto, apenas 3,9 mil são considerados aptos para adoção, segundo os dados do SNA (Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento), mantido pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Na outra ponta da história, estão 32,8 mil pretendentes habilitados a adotar uma dessas crianças.

A dificuldade, no entanto, está no perfil escolhido por quem deseja adotar. A maioria só aceita crianças com até 6 anos de idade; em contrapartida, a maior parte das crianças disponíveis, 1.100, é maior de 15 anos, e só 892 têm menos de 6 anos. 

"Essa adoção internacional foi muito importante para a nossa seção e para o DF porque foi inusitada, mas é importante dizer que o ideal seria que essas crianças conseguissem ficar no Brasil. No entanto, os brasileiros têm um perfil muito específico, ao contrário de estrangeiros, que estão mais dispostos a adotar grupos de irmãos, por exemplo", diz Valadão.

"Casais brasileiros, geralmente, exigem bebês recém-nascidos, de até 3 anos, e têm preferência por meninas brancas. Então a especificação é tão grande que fica muito difícil encontrar essas crianças no abrigo", completa.

Em 2021, de acordo com a VIJ, foram realizadas duas adoções internacionais de quatro crianças do Distrito Federal, ambas feitas por casais da França. Segundo o órgão, crianças brasileiras só são disponibilizadas para a adoção internacional quando as chances de conseguirem uma família no Brasil são consideradas pequenas.

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