Um relatório publicado pela Defensoria Pública do Distrito Federal nesta sexta-feira (5) mostrou que negros representaram 84% dos atendidos em audiências de custódia no 1º semestre deste ano. Os dados avaliaram uma lista de 2.576 audiências atendidas pela Defensoria e mostraram que, do público que passou pelo procedimento no DF entre janeiro e junho, 44,3% tinham o ensino fundamental incompleto, 66,1% tinham renda de um salário mínimo e 88,4% não trabalhavam com carteira assinada.O levantamento revelou, também, uma diferença de renda entre brancos e negros submetidos à audiência de custódia. As mulheres pretas, por exemplo, tinham renda média mensal de R$ 676,32, enquanto mulheres brancas atendidas tinham média mensal de R$ 1.217,07.Em relação aos homens, os brancos tinham renda de R$ 1.767,88, enquanto os negros detidos recebiam em média R$ 1.498,44.Para o defensor público-geral do DF, Celestino Chupel, o registro dos dados referentes às audiências de custódia é fundamental para que as instituições e os órgãos competentes possam atuar na prevenção de novas ocorrências.“Os relatórios são importantes para todo o sistema de Justiça, uma vez que embasam o desenvolvimento de políticas públicas específicas para cada período analisado”, destacou.O defensor público e chefe do Núcleo de Assistência Jurídica das Audiências de Custódia, Alexandre Fernandes Silva, explica que, de cada dez pessoas presas em flagrante no Distrito Federal, entre seis e sete são defendidas pela Defensoria Pública.“Por isso é tão importante a consolidação de dados sobre a temática. Após as reformas recentes do Código de Processo Penal, a audiência de custódia tornou-se o primeiro espaço formal de controle judicial da prisão, além de funcionar como uma espécie de ‘termômetro’ das políticas públicas de criminalização no Distrito Federal”, afirmou.Os dados também indicaram que a maioria dos crimes foi cometida sem violência ou grave ameaça (50,94%), ao passo que 33,67% foram referentes a delitos no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Outros 15,38% dos casos envolveram crimes com violência ou grave ameaça.A pesquisa também revelou relatos de violência policial em 15,88% dos casos, sendo que em 58,36% dos episódios não houve pedido de apuração formal da conduta da polícia. Por outro lado, 12,58% declararam não ter recebido itens básicos, tais como água e alimentação, nas Delegacias de Polícia do DF.O relatório diz que 35,1% das audiências realizadas nos seis primeiros meses do ano foram de casos de crimes contra o patrimônio, como roubos, furtos, estelionato e receptação. As audiências por crimes de tráfico de drogas representaram 13,9% dos casos.Em relação à região com maior número de registros, as prisões aconteceram principalmente em Ceilândia (14,1%), seguida pelo Plano Piloto (7,3%) e por Taguatinga (6,7%). Do total de defendidos, 1.567 eram reincidentes (60,8%) e 1.009, primários (39,1%).