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Presidente da Petrobras diz que deve mudar diretores da empresa até a próxima semana

Magda Chambriard não quis adiantar nomes nem a quantidade de executivos que devem deixar a Petrobras

Economia|Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília

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Magda assumiu presidência da Petrobras em maio Rafael Pereira / Agência Petrobras - 27.5.2024

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou nesta quarta-feira (12) que deve fazer mudanças nas diretorias da estatal entre o fim desta semana e o início da próxima. Magda, que assumiu a presidência da empresa em 24 de maio, não quis adiantar nomes nem a quantidade de executivos que devem deixar a Petrobras. A presidente declarou, ainda, que as alterações não são em função de “mérito ou demérito de ninguém”, mas devido a “ajustes de perfil”.

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“Eu acho que a gente tem aqui uma questão que é, inclusive, de respeito aos profissionais da empresa. Tenho visto uma série de especulação e afirmações infundadas, que atrapalham o desenvolvimento da empresa. A gente lida com pessoas, que merecem todo nosso respeito e consideração. Ficar sabendo de uma possível demissão ou contratação pela imprensa, sem ter sido comunicado, acho muito desumano”, afirmou a jornalistas em um fórum de investidores no Rio de Janeiro (RJ).

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A gestão dos nomes da diretoria foi facultada a Magda Chambriard pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas pessoas próximas afirmam que ela terá de submeter as mudanças também aos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Rui Costa (Casa Civil).

Além de Magda, a diretoria executiva da Petrobras é composta por oito diretores. Embora não tenha cravado quem vai permanecer na empresa, a expectativa é que o diretor de Transição Energética e Sustentabilidade, Mauricio Tolmasquim, permaneça no cargo. Ele é ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética e foi coordenador do grupo de trabalho de Minas e Energia na transição de governo, no fim de 2022.

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Outra previsão é que o diretor de Engenharia, Inovação e Tecnologia, Carlos Travassos, deixe o posto. Além de ser alvo de queixas relacionadas à lentidão no andamento de projetos, obras e pouca atenção ao conteúdo local nos empreendimentos, o executivo enfrenta fortes resistências dentro do PT.

Exploração de petróleo

Magda também afirmou nesta quarta (12) que pretende “convencer” o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) a autorizar a exploração de petróleo na margem equatorial brasileira, que se estende do litoral do Rio Grande do Norte ao Amapá. A ação é alvo de embates entre o Ministério de Minas e Energia, a Petrobras e o Ibama, que chegou a negar, em maio do ano passado, pedido da Petrobras para atividade de perfuração marítima.

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“Ainda não [houve avanço nas conversas com o Ibama], mas mantemos nossa posição. A margem equatorial, assim como outras novas fronteiras exploratórias, são essenciais para a reposição de reservas do país”, declarou, ao defender que a ação é necessária para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Questionada a respeito de eventual derrubada da decisão do Ibama pelo conselho da Petrobras, Magda afirmou que não “vai por esse caminho”. “Eu vou pela direção do convencimento e do, vamos dizer assim, esclarecimento de forma, inclusive, visual. Porque, a rigor, quando a gente licita uma área, a gente tem licença prévia com o Ibama, e essas áreas foram licenciadas. Então, eu entendo que é possível ao órgão ambiental fazer exigências para o licenciamento e dizer como pretende que seja viável, mas eu, particularmente, tenho dificuldade de entender como se nega uma licença que foi previamente concedida pelo Estado brasileiro”, criticou.

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Magda declarou que pretende levar a questão ao CNPE (Conselho Nacional de Politica Energética), formado por 16 ministérios e pela Empresa de Pesquisa Energética. “Acredito que a gente já perdeu 10 anos, porque essa margem foi licitada em 2013. Reitero que todo estudo foi feito. Não é crível que três grandes petroleiras [além da Petrobras, as empresas BP e TotalEnergies] estejam desempenhando mal seu papel em termos de licenciamento. Nosso entendimento é de que o que não se resolveu em 10 anos dificilmente será resolvido tecnicamente. É uma questão que transcende a discussão técnica. Quando a gente fala de política de estado de segurança energética, transcende, e muito, uma mera questão de licença”, completou.

Lula defende exploração

No mesmo evento, também nesta quarta (12), o presidente Lula defendeu a exploração da margem equatorial, porque o governo federal não pode “jogar fora nenhuma oportunidade de fazer este país crescer”.

“É importante ter em conta que nós, na hora que começar a explorar a chamada margem equatorial, nós vamos ter um salto de qualidade extraordinário. Queremos fazer tudo legal, respeitando o meio ambiente, respeitando tudo, mas não vamos jogar fora nenhuma oportunidade de fazer esse país crescer”, afirmou Lula.

A margem equatorial do Brasil engloba as bacias hidrográficas da foz do Rio Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. É uma região geográfica considerada de grande potencial pelo setor de óleo e gás. A Petrobras, em seu plano estratégico 2024-2028, previu investimentos de US$ 3,1 bilhões para pesquisas na localidade, com expectativa de perfurar 16 poços ao longo desses quatro anos.

Entenda

Em maio do ano passado, o Ibama negou pedido da Petrobras para atividade de perfuração marítima na Bacia da Foz do Rio Amazonas, sob a alegação de que a companhia não havia conseguido comprovar a proteção da diversidade biológica e a segurança de comunidades indígenas da região. Nessa região há a expectativa de grandes reservatórios, como os encontrados na Guiana e no Suriname.

Na época, a Petrobras solicitou a reconsideração da análise. Em agosto de 2023, a AGU (Advocacia-Geral da União) divulgou parecer técnico favorável à exploração. O documento colocou em posições opostas o Ministério de Minas e Energia, favorável à exploração, e a pasta do Meio Ambiente e Mudança do Clima, de Marina Silva. A ministra é contrária à exploração de petróleo na região.

No final de setembro de 2023, o Ibama concedeu licença ambiental para a Petrobras perfurar uma outra bacia, no litoral do Rio Grande do Norte e Ceará. Sobre a Bacia da Foz do Amazonas, ainda não houve resolução definitiva.

Em janeiro, a Petrobras concluiu a perfuração do poço exploratório de Pitu Oeste, na Bacia Potiguar na Margem Equatorial. Na época, a companhia comunicou à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) que identificou presença de hidrocarboneto, mas ainda inconclusivo quanto à viabilidade econômica.



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