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Primeiro descendente de japoneses nascido no DF foi batizado por Juscelino Kubitschek

Imigração japonesa no Brasil completa 116 anos nesta terça; estimativa é que cerca de 2,7 milhões de descendentes morem no país

Brasília|Giovanna Inoue, do R7, em Brasília


Heitor Kanegae no colo de JK, em batismo Reprodução/Arquivo pessoal - Arquivo

Em janeiro de 1958, antes mesmo da inauguração de Brasília, nasceu o primeiro filho de imigrantes do Japão no Distrito Federal. Heitor Kanegae foi o primeiro descendente de japoneses a nascer em Brasília e, por isso, foi batizado pelo então presidente da República e fundador da cidade, Juscelino Kubitschek.

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Heitor conta que cinco famílias de imigrantes japoneses que moravam no Goiás — Kanegae, Ogawa, Ikeda, Hayakawa e Ofuji — foram convidados por JK à vir morar em Brasília para trabalhar na agricultura e abastecer a “Cidade Livre”, onde atualmente está o Núcleo Bandeirante.

“A primeira colônia japonesa em Brasília foi o Riacho Fundo”, relata Heitor. Ele explica que as famílias escolheram os locais que gostariam de plantar naquela região administrativa.

O pai de Heitor, Yasutaro Kanegae, sobrevoou o local com Israel Pinheiro, à época presidente da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil), para decidir qual área escolheria. Yasutaro reclamou da qualidade da terra, ao que Israel teria respondido “se as terras fossem boas, não precisava de japonês”.

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Heitor continua na chácara em que foi batizado

“Era terrível, tiveram que desmatar tudo. Foi muito sofrido”, conta Heitor sobre a chegada ao Riacho Fundo. A família plantava hortaliças, principalmente as folhosas, e tomates, para vender na feira do Núcleo Bandeirante.

Atualmente, Heitor é funcionário público aposentado e continua trabalhando com agricultura na mesma chácara em que foi batizado em 1958, fornecendo hortaliças para restaurantes.

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Comunidade japonesa em Brasília

Depois de Riacho Fundo, comunidades japonesas se estabeleceram em outros pontos do Distrito Federal, como Brazlândia, Vargem Bonita e Taguatinga. De acordo com estimativas da Embaixada do Japão, existem 31 mil japoneses e descendentes morando no DF.

No Plano Piloto, locais como o Clube Cultural e Recreativo Nipo Brasileiro e a quadra 414 Sul são conhecidos por serem pontos de encontro da comunidade. A Mercearia e Frutaria Mikami está na Asa Sul há 53 anos e é uma das lojas de produtos asiáticos mais tradicional do DF.

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“Eu acho que [a Mikami] está aqui para servir a comunidade, com os ingredientes da culinária e também é um meio de divulgação da cultura”, explica a CEO Márcia Mikami. Ela afirma que gostaria que a quadra se transformasse em uma “Liberdade de Brasília” — referência ao bairro japonês de São Paulo — e que outros empreendedores ligados à comunidade japonesa abram lojas e criem comércios no local.

Uma lei distrital aprovada em março deste ano intitula a 414 sul oficialmente como a “rua japonesa” de Brasília.

Imigração japonesa

Em 18 de junho de 1908, depois de 52 dias de viagem, o navio Kasato Maru chegou ao Porto de Santos com os primeiros 781 imigrantes japoneses. Os principais destinos deles eram as fazendas e colônias agrícolas, inicialmente de São Paulo e Paraná. Com o passar dos anos e com a chegada de mais japoneses, os imigrantes começaram a se deslocar para todas as regiões do Brasil.

Pela estimativa da embaixada, cerca de 2,7 milhões de japoneses e descendentes moram no Brasil.

Japão Gastronômico

Entre 17 e 23 de junho, 11 restaurantes japoneses locais vão oferecer pratos típicos a preços promocionais e condições especiais. O menu inclui pratos clássicos, como sushis, e lamens — macarrão servido com caldo à base de shoyu, missô e carne de ave ou porco —, além de teishokus — refeições completas — entre outros.

O embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi, afirma que a culinária do país é um dos assuntos que mais interessam o público brasileiro. “Também é por meio da comida que muitas famílias de imigrantes cultivam e compartilham a cultura japonesa no Brasil. Com este evento, queremos reunir nikkeis e a comunidade brasileira que os acolheu, como em uma grande refeição entre amigos.”

A lista completa de pratos e dos restaurantes participantes da primeira edição do Japão Gastronômico podem ser conferidas no site oficial da embaixada.

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