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Projeto que acaba com honorários de defensores está parado na Câmara; entenda

Texto chegou a entrar na pauta da CCJ da Casa, mas foi retirado a pedido do relator

Brasília|Rute Moraes, do R7, em Brasília

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Projeto que acaba com honorários de advogados públicos está parado na Câmara; entenda Rafa Neddermeyer/Agência Brasil - 03/11/2023

Apresentado na Câmara dos Deputados em 2019, um projeto de lei pretende acabar com o pagamento de honorários de sucumbência a advogados públicos, que são os valores pagos pela parte vencida nos processos. De autoria de 11 parlamentares, a proposta é relatada pelo deputado federal Gilson Marques (Novo-SC). O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), está entre os autores da matéria. O texto chegou a entrar na pauta da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa, mas, a pedido do relator, foi retirado.

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Em junho, o líder da oposição na Câmara, Filipe Barros (PL-RJ), falou em protocolar um requerimento de urgência para que a proposição fosse remetida diretamente ao plenário da Casa, mas a ideia não foi levada adiante. O intuito, à época, era reagir à “perseguição da AGU [Advocacia-Geral da União] aos deputados por seus discursos”.

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Ao R7, Marques explicou que pediu a retirada do texto da pauta da Casa após conversas com advogados públicos que disseram ao parlamentar que a proibição do recebimento dos valores por parte dos defensores não encerra os honorários.

Isso porque o montante continuaria a ser pago pela parte perdedora, mas iria para os cofres públicos. O relator contou estar em um “dilema”, pois a ideia da suspensão dos honorários é diminuir o custo do Judiciário. O deputado afirmou que pensa em uma “solução” para o projeto.

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Auxílio saúde suplementar

O texto do parlamentar voltou à tona após uma resolução da AGU estabelecer o pagamento do “auxílio saúde suplementar” aos servidores — aposentados e ativos — da AGU. O empenho é feito por meio do CCHA (Conselho Curador dos Honorários Advocatícios).

A resolução prevê o pagamento mensal de R$ 3.000 aos funcionários ativos e R$ 3.500 para aposentados. O valor estaria sendo classificado como verba indenizatória, portanto, isento de tributos. Ao R7, o conselho informou que o pagamento “está em absoluta conformidade com a legislação e com a decisão do STF [Supremo Tribunal Federal] que reconheceu a natureza remuneratória privada desta verba”. Leia a nota na íntegra ao final desta reportagem.

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O Novo, partido do relator, acionou o TCU (Tribunal de Contas com a União), para impedir os empenhos. A legenda argumenta, por exemplo, que a regra burlaria o teto constitucional da remuneração, previsto pela Constituição. Atualmente, o teto de pagamento do serviço público é de R$ 44 mil. Conforme noticiou o R7, o governo federal tenta um acordo com os servidores da AGU para resolver o impasse.

Um parecer da área técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) recomendou a suspensão imediata do penduricalho. O documento, de autoria da Unidade de Auditoria Especializada em Pessoal do tribunal, foi enviado ao relator do caso na corte.

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Segundo um relatório do Portal da Transparência, nos sete primeiros meses deste ano, advogados públicos e procuradores federais receberam R$ 1,1 bilhão em honorários.

STF determinou que benefício não pode ultrapassar teto

Em 2020, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o benefício não pode ultrapassar o teto remuneratório do funcionalismo público. Atualmente, o teto é de R$ 44 mil, mesmo salário de um ministro do STF.

O Portal da Transparência, contudo, não cita o “abate teto”, que corta o valor que excede o salário máximo sobre os honorários dos sete primeiros meses deste ano.

Quando comparado a 2023, o montante extra aumentou. No ano passado, os procuradores e advogados receberam R$ 1,6 bilhão. Neste ano, o valor deve ser superado. Em média, por mês, os honorários renderam R$ 163 milhões até julho de 2024.

Advogado de carreira, o ministro da AGU, Jorge Messias, recebeu R$ 110 mil entre janeiro e julho deste ano. Trata-se de, em média, R$ 15 mil a mais por mês no salário dele de ministro, que fica em torno de R$ 22 mil.

Nota do CCHA:

“O Conselho Curador dos Honorários Advocatícios (CCHA), entidade privada responsável por realizar a gestão e distribuição dos honorários, esclarece que o pagamento do auxílio-saúde a membros ativos e aposentados das carreiras da advocacia pública federal está em absoluta conformidade com a legislação e com a decisão do STF que reconheceu a natureza remuneratória privada desta verba.

Atualmente, os advogados públicos recebem, a título de auxílio-saúde, o valor de R$ 161 da Administração Pública. A nova quantia, oriunda de recursos exclusivamente privados e sem qualquer ônus aos cofres públicos, representa uma complementação ao que já é pago, sistemática semelhante à que seguem outras carreiras de Estado.”

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