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Senado adia análise de projetos que mexem em regras tributárias

Uma das propostas é a que pune os chamados devedores contumazes; senadores ainda vão definir nova data para análise

Brasília|Hellen Leite e Victoria Lacerda, do R7, em Brasília

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Senado não definiu data para analisar os temas
Senado não definiu data para analisar os temas Edilson Rodrigues/Agência Senado - 20.6.2024

A pedido do governo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), adiou a votação de dois projetos que buscam equilibrar as relações entre pagadores de tributos e a Receita Federal, que agora não têm data definida para ser analisados no plenário. Um deles é o que estabelece normas gerais relativas a direitos, garantias e deveres dos contribuintes. A matéria propõe benefícios a bons pagadores de impostos e pune os chamados “devedores contumazes”, que são aqueles não cumprem com suas obrigações financeiras ou de pagamento de forma habitual e intencional.

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O outro projeto retirado de pauta foi o que altera as regras de atuação da Receita Federal. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), comentou que os temas são complexos e pediu mais tempo para análise do texto. O relator das propostas, senador Efraim Filho (União Brasil-PB), reconheceu que há várias sugestões de emendas no plenário, especialmente para o Código de Defesa do Contribuinte, mas reforçou que os temas já foram amplamente discutidos.

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“Esses temas tramitaram por mais de seis meses em comissão especial. Foram realizadas cinco audiências públicas com a participação de entidades, do segmento interessado e de juristas. São temas que tiveram sua análise esgotada dentro dessa comissão especial”, disse Efraim.

Entenda os projetos

O PLP 124/2022 impõe um limite para as multas de 75% do tributo devido e uniformiza o processo administrativo fiscal, estabelecendo regras gerais sobre a cobrança e o pagamento de tributos para a União, Estados e municípios. Além disso, o texto estimula o uso da mediação e arbitragem como instrumentos de prevenção de conflitos.

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A matéria cria a figura jurídica do devedor contumaz, o empresário que deixa de pagar impostos para aumentar seus ativos patrimoniais ou investimentos, e estabelece sanções contra esses agentes irregulares, como a suspensão da inscrição estadual, entre outras medidas.

A matéria tramita desde 2017 no Congresso Nacional, mas não foi transformada em lei devido à pressão de agentes ilegais do mercado de combustíveis, que chegou a arquivar o texto. Em 2023, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) solicitou o desarquivamento da proposta.

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O PLP 125/2022 premia o bom pagador e pune o devedor contumaz, como empresários que utilizam a inadimplência como estratégia de negócio. O texto estabelece normas gerais sobre os direitos, garantias e deveres dos cidadãos na relação com a Receita Federal e outros órgãos de administração tributária dos Estados e do Distrito Federal, com o objetivo de coibir abusos por parte do Fisco.

Líderes discutiram o projeto durante reunião nesta quinta, mas ainda não chegaram a um acordo sobre a votação. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) sugeriu duas emendas de plenário da última quarta que descaracterizaram a matéria. Na emenda 7, ele propôs que a nova norma do devedor contumaz não se aplicasse ao setor de óleo e gás, justificando que a forte presença da Petrobras no setor causaria distorções. Na emenda 8, ele sugeriu que apenas agências reguladoras tivessem o poder de atestar prestações de serviço lesivas aos consumidores.

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O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), propôs uma emenda para ajustar a definição de devedor contumaz.

“Precisamos entender que existem dois tipos de devedor contumaz: um é o clássico, que sonega imposto e fortalece a pessoa física em detrimento da pessoa jurídica, deixando um passivo fiscal; esse precisa ser combatido. O outro é cíclico. Não podemos definir um CNPJ com histórico de bom pagador como devedor contumaz devido a uma crise econômica cíclica estrutural. Exemplos de extremos climáticos, como o recente no RS, certamente causarão problemas fiscais para um percentual expressivo de empresas gaúchas”, explicou.

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