Cidades Com avanço lento na reciclagem, 50% das cidades ainda têm lixões

Com avanço lento na reciclagem, 50% das cidades ainda têm lixões

Segundo Islu 2021, metade dos municípios não dispõem de modelo de cobrança para custear os serviços de coleta e tratamento

Agência Estado
Com avanço lento na reciclagem, metade das cidades ainda tem lixões, segundo Islu 2021

Com avanço lento na reciclagem, metade das cidades ainda tem lixões, segundo Islu 2021

Divulgação / Abetre e MMA

Metade das cidades brasileiras ainda descarta seu lixo de forma ambientalmente inadequada, revela o Islu 2021 (Índice de Sustentabilidade Urbana). Já 58% dos municípios não dispõem de um modelo de cobrança para custear os serviços de coleta e tratamento. Uma situação que pode levar o país a descumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas).

Nos últimos cinco anos, o avanço no setor foi quase nenhum, constatou o estudo, realizado pelo Selurb (Sindicato Nacional de Limpeza Urbana), com a PwC Brasil. Em 2016, por exemplo, 55% das cidades ainda utilizavam lixões a céu aberto para o descarte - o porcentual agora está em 50%.

O setor de saneamento representa 5% das emissões de gases-estufa do País, por causa dos lixões a céu aberto. A destinação ambientalmente adequada do lixo contribuiria significativamente para o País cumprir o compromisso de redução de 30% da emissão de gás metano, meta assumida pelo Brasil na COP-26 (Conferência do Clima), em Glasgow.

O Índice de Sustentabilidade Urbana mede o desenvolvimento das cidades a partir da implementação da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos). O estudo é feito a partir do cruzamento dos dados oficiais mais recentes inseridos pelos municípios no SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento).

Quatro aspectos são considerados pelo índice: proporção da população atendida; sustentabilidade financeira; proporção do material reciclável recuperado sobre total coletado e quantidade destinada incorretamente sobre a população atendida.

Coleta e reciclagem

O estudo analisou 3.572 municípios em todo o país. A cobertura da coleta porta a porta se manteve na casa dos 76%, com quase um quarto da população sem acesso ao serviço. Já a taxa de reciclagem patina em torno 3,5% nos últimos cinco anos.

A análise levou em consideração o ritmo de progresso dos últimos anos. E alerta que a cobrança pelo serviço, determinada pelo Novo Marco Legal do Saneamento, é fundamental para mudar essa situação.

A região sul é a que apresenta pontuação mais alta no índice de sustentabilidade, com média de 0,545, e porcentual de reciclagem de 7,2%, o melhor do país. O sul também se destaca pelo total de municípios que já aplicam modelos de cobrança, o equivalente a 83,5%.

Em segundo lugar na pontuação do estudo, o sudeste também apresenta a melhor taxa de coleta. Com cobertura de 85,5%, a região é a que mais se aproxima da universalização dos serviços. No entanto, para melhorar a média de 0,487 e alcançar o nível médio estabelecido pelo índice, acima de 0,600, ainda precisa avançar na destinação correta e na reciclagem dos resíduos.

A situação mais complicada é no nordeste. Com a média mais baixa do país, de 0,351, e pior índice de reciclagem, de 0,30%, apenas 7,6% das cidades da região têm cobrança específica. E só 13,3% fazem a destinação adequada do lixo. 

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