Cidades Desastres são efeito extremo do fenômeno La Niña

Desastres são efeito extremo do fenômeno La Niña

Desde o ano passado, o volume de precipitação tem sido anormal; aumento da temperatura do oceano Atlântico também exerce influência

Agência Estado
Estrutura litorânea do Grande Recife contribui para os alagamentos

Estrutura litorânea do Grande Recife contribui para os alagamentos

Marlon Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo - 28.05.2022

Os fortes temporais que vêm atingindo Pernambuco podem estar relacionados ao fenômeno climatológico La Niña, que causa o aumento de precipitações nas regiões Norte e Nordeste. Segundo Pedro Côrtes, geólogo da USP (Universidade de São Paulo), o grande volume de chuva está sendo provocado pelo aumento dos ventos que sopram na direção do continente, típicos desta época do ano. O fenômeno, intensificado pelo La Niña, leva massas de ar úmido para o Norte e o Nordeste, provocando as chuvas.

Desde o ano passado, porém, com enchentes na Bahia, em Minas e na região serrana do Rio, o volume de precipitação tem sido anormal. Segundo Côrtes, o aumento da temperatura do oceano Atlântico também é um fator que contribui para o aumento da umidade das massas de ar. O aquecimento, de acordo com ele, pode ter origem nas mudanças climáticas dos últimos anos.

"Durante o La Niña, é comum que haja aumento dos ventos na região equatorial e, com isso, que mais massas de ar úmido sejam carregadas para o interior do continente. O aquecimento do Atlântico não está ligado a esse fenômeno, mas foi uma coincidência que potencializou as chuvas."

Em média, foi possível registrar nesta madrugada um volume de chuva de 236,01 milímetros, valor que corresponde a mais da metade do verificado em todo o mês de maio de 2021, segundo o Inmet. Para este ano, o volume já representa 70% do previsto para o mês.

Outro fator determinante para os alagamentos é a própria estrutura litorânea da região. Pelo fato de o Grande Recife estar perto do mar, os rios que cortam a região recebem mais água do que podem comportar.

"Os fenômenos climáticos continuam estáveis há um tempo, tanto o El Niño quanto o La Niña. Mas há uma tendência grande no aumento da intensidade de como as consequências desses eventos atingem o continente", explica Côrtes.

Para José Marengo, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ainda é cedo para dizer se a anormalidade das chuvas é resultado do aquecimento global. "Mas o cenário futuro de clima mostra que esses extremos de chuva podem ser mais frequentes em uma área vulnerável, essas chuvas alcançam as consequências que podemos observar", alerta.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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