Como lidar com a ansiedade causada pela pandemia

Medo de ter covid-19 ou de alguma pessoa próxima, ter a distância das pessoas queridas, problemas financeiros gerados pela crise atual causam o transtorno

Folha Vitória
Foto: Divulgação/ P+G Comunicação
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) já sinalizava que o Brasil é o país mais ansioso do mundo. Na pandemia tem sido ainda mais comum ouvir relatos de crises repentinas de ansiedade. O fato é que o isolamento social e a proliferação do coronavírus acabou gerando angústia e preocupação em muita gente.

 "As incertezas da fase atual desencadearam momentos ou crises de ansiedade até em quem era mais tranquilo. Mais do que nunca, precisamos estar atentos a nossa saúde mental e na das pessoas com quem convivemos", alerta o psiquiatra da Unimed Vitória Vicente Ramatis.

Segundo o médico, vários fatores podem levar à sensação de ansiedade durante a pandemia: medo de ter covid-19 ou de alguma pessoa próxima, ter a distância das pessoas queridas, problemas financeiros gerados pela crise atual, filhos em casa e ainda as aulas online, falta de interação social, o próprio home office, o receio da morte, entre outras razões que causam desequilíbrio emocional.

Ramatis diz que o que faz a pessoa se sentir ansiosa é uma agitação do sistema nervoso central e uma angústia que causam desconforto. "É muito parecido com o medo e, em casos mais graves, com o pânico. Entre os sinais da ansiedade, estão irregularidade do sono, insônia, apatia, dificuldade para se concentrar e tomar decisões e pesadelos frequentes", enumera o psiquiatra.

Há ainda os sintomas físicos, que provocam bastante mal-estar. "Taquicardia ou coração acelerado, sensação de falta de ar, como se o ar não chegasse aos pulmões, aperto no peito, dor de cabeça, suor excessivo, tensão muscular e cansaço são alguns dos sintomas bastante comuns em quadros de ansiedade", explica.

O especialista diz que, nas situações mais extremas, é importante procurar ajuda profissional para que a situação não seja limitante e não comprometa o dia a dia e as relações pessoais. Ele afirma, porém, que, se os sinais são moderados, é possível buscar formas para minimizar a ansiedade e ter mais qualidade de vida.

Confira as dicas do médico

1 - Organize seu dia a dia. Tente ter uma rotina. Com horários pré-estabelecidos para acordar, trabalhar, fazer atividade física, realizar as refeições e dormir, a mente fica mais tranquila. Lembre-se de estabelecer prioridades e fazer o que estiver a seu alcance, sem auto cobrança excessiva.

2 - Abra mão de coisas que não estão sendo possíveis realizar agora. Não vai conseguir, por exemplo, manter a casa sempre organizada se estiver em home office ou com as crianças sem estudar. Em alguns dias, você estará mais produtivo, em outros, menos, e tudo bem.

3 - Exercite a positividade. Tente focar no lado bom das experiências que está vivendo nesta pandemia e no aprendizado que podem trazer. Nem todos os dias, se sentirá otimista, mas cultive bons pensamentos na maior parte do tempo.

4 - Cuide-se. Faça atividades físicas, mesmo que em casa, alimente-se bem, crie uma rotina de sono. Cuide também da parte estética, dos cabelos, das unhas, da barba. Sinta-se vivo e mantenha-se bem consigo mesmo.

5 - Medite. A meditação ajuda a acalmar, melhora o sono, controla o estresse e, com isso, dribla a ansiedade.

6 - Não deixe de movimentar o corpo. Faça atividades físicas, com segurança, que te garantam prazer e bem-estar.

7 - Cuidado com as informações que recebe. Escolha fontes seguras. Mas não fique o tempo todo buscando notícias. Desconecte-se sempre que puder.

8 - Mantenha contatos com as pessoas queridas, mesmo que virtuais. Não se isole.

9 - Crie momentos com os filhos, seja para cozinhar, ver um bom filme, contar histórias, ou qualquer atividade que aproximem vocês e possibilite a interação.

10 - A ansiedade se agravou? Busque ajuda. Não fique sozinho em suas angústias. Nos casos mais graves, é muito importante ter ajuda profissional.

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