Folha Vitória O que é e como funcionam os serviços de concierge em condomínios?

O que é e como funcionam os serviços de concierge em condomínios?

Especialista explica quais funções desempenham os profissionais do ramo e aponta razões para o surgimento desta nova prática

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Foto: Divulgação/DINO

O mercado imobiliário de luxo teve um salto de 37,7% no segundo trimestre de 2022, em comparação com o segundo trimestre de 2021. O aumento de lançamentos que se enquadram nesta categoria passou de 962 para 1.325 unidades, segundo dados da Brain - Inteligência Estratégica. A mesma consultoria havia identificado um recorde nas vendas de apartamentos de luxo no ano passado, o que reforça a tendência. Paralelamente, os empreendimentos estão adequando serviços para ampliar o público e, neste ínterim, surgiu um novo profissional: o concierge de condomínio. 

Conhecido por atuar em hotelarias, o concierge agora tem a alternativa de trabalhar dentro de condomínios residenciais, prestando assistência aos moradores. Trata-se de um profissional capacitado em organizar tarefas, atender demandas diversas e até mesmo coordenar outros funcionários. 

As funções que o concierge pode desempenhar dentro de prédios variam. “Há diversos serviços distintos para trazer facilidades aos moradores, desde a contratação de diarista até mesmo passeio com o pet”, exemplifica Sérgio Rocha, CEO da Roche Serviços. 

Há quase duas décadas atuando no ramo de tecnologia em condomínios, Rocha acredita que a contratação da assessoria personalizada é explicada pela alta demanda por bem-estar e praticidade. “Os moradores estão mais ocupados e necessitando de mais apoio dentro da rotina. As construtoras já entenderam esse cenário e estão adaptando os novos empreendimentos”, afirma.

De fato, no mercado de bem-estar, o brasileiro destaca-se. No estudo “Sentir-se bem: o futuro dos $1,5 trilhões do mercado de bem-estar”, da McKinsey, 79% dos entrevistados disseram acreditar que o bem-estar é importante, sendo uma das prioridades para 42%. Afunilando a estatística para o Brasil, este último número sobe para 75%. Em um cálculo per capita, a consultoria estima que o brasileiro, anualmente, gaste duas vezes mais do que os outros países analisados, sendo eles Alemanha, China, Estados Unidos, Japão e Reino Unido.

A definição de bem-estar é ampla, mas a pesquisa da McKinsey capta seis dimensões que mais interessam aos consumidores entrevistados: saúde, forma física, nutrição, aparência, sono e mindfulness.

Parte destes anseios já buscam ser supridos dentro dos condomínios, como atesta o CEO da Roche Serviços. “Já existem condomínios com salas de massagem, cuidados de beleza, local para aulas de ioga, passeio com os pets, vagas exclusivas para lavagem de veículos, entre outras facilidades aos moradores”, afirma.

O que pode separar um condomínio comum de outro que possua o concierge ou um serviço de armário “inteligente”, em que o próprio entregador insere a encomenda, é uma barreira econômica.

Uma reportagem da Folha apurou que moradores chegam a pagar 30 mil mensais por serviços como spa, concierge e academia dentro de condomínios de luxo na capital paulista. “O condomínio que dispõe destas facilidades atraí mais pessoas e, consequentemente, é mais valorizados”, conclui Rocha.

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