Folha Vitória Pacientes com asma severa devem se preocupar com o coronavírus, dizem especialistas

Pacientes com asma severa devem se preocupar com o coronavírus, dizem especialistas

Sesa excluiu as pessoas asmáticas do grupo de risco para a covid-19 no estado. Médicos, no entanto, alertam que é preciso estar com a doença controlada

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Desde a última segunda-feira (14), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) não considera mais a asma como doença que pode agravar o quadro dos infectados pelo novo coronavírus. O novo entendimento contraria o do Ministério da Saúde, que ainda considera asma moderada ou grave, além de doença pulmonar obstrutiva crônica, fatores de risco para a covid-19.

Por meio de nota, a Sesa explicou que a mudança ocorreu com base em estudos científicos internacionais, que comprovam que não há associação entre a asma e os casos graves da covid-19. No entanto, não informou que estudos são esses.

"Os asmáticos saíram do grupo de risco porque eles têm menos receptores para a membrana do vírus — são os chamados receptores ACE-2. Não se sabe muito bem por que eles têm menos quantidade. Alguns falam que é por causa do uso de corticoide, mas isso não está totalmente definido", explicou a médica pneumologista Marli Lopes.

A também pneumologista Cileia Martins diz que concorda em parte com a alteração que tirou a asma da lista de comorbidades no Espírito Santo. "O que a gente observou é que pacientes com asma controlada e sob uso de medicações corretas — e também tratamento das suas rinites, porque todo asmático é rinítico — não desenvolveram covids graves. Não houve necessidade de entrar em nenhuma UTI e a maioria até nem desenvolveu a doença, porque já havia essa proteção, essa autodefesa feita dentro dos brônquios, através da sua medicação", ressaltou.

Cileia Martins acredita, no entanto, que pessoas com asma severa devem continuar fazendo parte do grupo de risco, já que os medicamentos usados nem sempre são suficientes para evitar as crises. Segundo ela, essas pessoas devem continuar recolhidas.

"Os pacientes que vivem com internações frequentes, pacientes com o que a gente chama de 'exacerbações', quer dizer, eles têm mais tendência a ter infecções, e pessoas também que às vezes, mesmo em uso de medicações corretas, ainda continuam tendo crises — que a gente fala que é o asmático grave, que às vezes precisam fazer o uso até de biológicos para melhorar essa asma —, esses sim", afirmou a pneumologista.

Tal preocupação tem feito parte da rotina da advogada Andressa Bulhões e dos dois filhos, de 6 e 4 anos. Os três têm asma severa e usam medicamentos todos os dias contra o problema. Mesmo assim ocorrem crises. "Quando pega uma gripe, às vezes uma sinusite, sempre ataca aquela tosse mais carregada, mais pesada", relata.

Sempre que podem, Andressa e o marido levam as crianças para passar o final de semana na propriedade dos avós dela, em Domingos Martins, na região serrana. A advogada conta que o lugar se tornou um refúgio para a família durante a pandemia. "Lá tem macaco, passarinho, esquilo. Aí eles botam comida e já é uma diversão, uma coisa para tirar um pouco o foco de que tem que ficar dentro de casa", destacou Andressa, que quando não está na pousada com os filhos, fica confinada dentro de casa com eles, na Glória, em Vila Velha.

Com informações da repórter Fernanda Batista, da TV Vitória/Record TV

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