Cidades Vereador do PT invade igreja em Curitiba para fazer protesto

Vereador do PT invade igreja em Curitiba para fazer protesto

Vereador Renato Freitas, do PT, estava entre os que protestavam contra assassinato de congolês. Ação provocou críticas nas redes

  • Cidades | Do R7

Freitas em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Freitas em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Reprodução/Instagram

Com a presença do vereador Renato Freitas (PT), um grupo de manifestantes que protestava contra o racismo interrompeu uma missa em Curitiba no último sábado (5). O ato dizia respeito ao assassinato do congolês Moïse Kabagambe, que aconteceu no Rio de Janeiro. Vídeos que mostram a presença dos manifestantes circularam na internet e provocaram críticas, endossadas pela Arquidiocese de Curitiba, que falou em "agressividade". 

Os manifestantes se concentraram inicialmente em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no centro de Curitiba. Durante o ato, eles foram abordados por um religioso, que teria argumentado que ocorria uma celebração naquele momento, por volta das 17h. O grupo, então, decidiu entrar na igreja, levando fotos e cartazes. Entre as bandeiras estava a do PCB (Partido Comunista Brasileiro).

O vereador Renato Freitas se defendeu nas redes sociais afirmando que o ato foi pacífico e que os participantes só entraram na igreja na parte final do ato. Segundo ele, a motivação para a entrada dos manifestantes na igreja surgiu após a tentativa de um padre de "calar" o ato. "Entendemos que esse espaço é símbolo de resistência e de persistência da população negra, que também tem o direito de professar sua fé cristã. Nossa luta sempre foi e continuará sendo pela liberdade e pela valorização da vida", diz. 

Oa manifestantes proferiram gritos durante a negociação com o religioso, chamando-o de racista em diferentes oportunidades.  

A Arquidiocese de Curitiba não poupou críticas ao ato. Em nota, a entidade afirmou que os participantes foram "solicitados a não tumultuar o momento litúrgico", mas que suas lideranças "instaram a comportamentos invasivos, desrespeitosos e grotescos". O comunicado diz que "é verdade que a questão racial no Brasil ainda requer muita reflexão e análises honestas, que promovam políticas públicas com vistas a contemplar a igualdade dos direitos de todos. Mas não é menos verdadeiro que a justiça e a paz nunca serão alcançadas com destemperos ou impulsividades desequilibradas".

A arquidiocese lembrou que a igreja foi erguida no século 18 por escravos. "Hoje, muitos afrodescendentes a visitam. E o fazem em grupos ou individualmente. Sempre primaram pelo profundo respeito, até mesmo quando não católicos. [...] "Infelizmente, o que houve no último sábado foram agressividades e ofensas." A arquidiocese encerrou a nota afirmando que não quer “politizar” as reações em relação ao fato. 

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