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Dólar avança a R$ 5,38 e Ibovespa tem leve alta após apoio dos bancos a Haddad

Após avançar em quatro dos últimos cinco pregões, a divisa termina a semana com ganhos de 1,08%, e acumula no mês a 2,50%

Economia|Do R7, com Estadão Conteúdo


Moeda americana recuou após repercussão de frase do ministro CRIS FAGA/DRAGONFLY PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 12.06.2024

O dólar manteve o desempenho positivo dos últimos dias e encerrou esta sexta-feira (14) em leve alta de 0,28%, cotado a R$ 5,38. Após avançar em quatro dos últimos cinco pregões, a divisa termina a semana com ganhos de 1,08%, o que leva a valorização acumulada no mês a 2,50%.

Já o Ibovespa fechou em leve alta nesta sexta-feira (14), após operar próximo à estabilidade ao longo da tarde. A principal referência da B3 terminou a sessão em valorização de 0,08%, aos 119.662,38 pontos, após oscilar entre máxima, a 120.213,65 pontos, e mínima, a 118.828,08 pontos.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu de manhã com os presidentes dos maiores bancos privados do país. Depois do encontro, Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos, disse que os banqueiros deixaram a reunião convencidos de que Haddad está engajado em buscar o equilíbrio das contas públicas e mostra uma disposição firme em dialogar em busca desse objetivo com o governo e o Congresso Nacional.

“Se Haddad continuar dando declarações sobre controlar os gastos, consigo enxergar um cenário mais otimista aí para a nossa Bolsa”, destaca Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos. Na quinta-feira (13), o ministro, junto com Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento, já havia declarado que as equipes econômicas do governo estão concentradas em uma reavaliação “ampla, geral e irrestrita das despesas do país”.

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Pela manhã, o real se descolou pontualmente do ambiente externo, com investidores aparando parte dos prêmios de risco associados à política fiscal. Após receber um afago ontem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o classificou de “extraordinário ministro”, Fernando Haddad obteve respaldo hoje dos principais bancos do país em encontro na sede do ministério da Fazenda em São Paulo.

O respaldo de Lula e do setor financeiro ao ministro vem após rumores de que Haddad, principal fiador do novo arcabouço fiscal, havia perdido capital político. O economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, observa que, depois ter superado R$ 5,40 no fechamento na última quarta-feira (R$ 5,4062), o dólar perdeu parte de seu ímpeto com um “discurso mais coordenado” do governo de suporte a Haddad.

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Ele lembra que, além da declaração de Lula ontem, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, se reuniu com o titular da Fazenda e engrossou o coro a favor de revisão de gastos. “Tivemos hoje também participantes do mercado defendendo a agenda de Haddad. Isso trouxe algum alívio, mas a gente continua a ver um câmbio em nível bem depreciado por conta das incertezas fiscais”, diz Costa.

“O mercado ainda espera medidas e uma declaração mais clara de Lula dando apoio à agenda de ajustes de despesas”.

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Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY subiu e voltou a ultrapassar os 105,500 pontos. O euro continua a se enfraquecer em meio à crise política na França, após o presidente francês Emmanuel Macron convocar eleições antecipadas em razão do avanço da extrema direita no Parlamento Europeu.

À tarde, dirigentes do Federal Reserve voltaram a mencionar a resiliência da inflação como obstáculo a um corte de juros.

O economista-chefe do Banco Fibra, Marco Maciel, afirma que o recuo das taxas dos Treasuries de 2 anos de 4,90% para o nível de 4,68% nesta semana, após a desaceleração da inflação ao consumidor nos EUA em maio, deveria levar a uma valorização das divisas emergentes. No Brasil, a taxa de câmbio poderia estar no nível entre R$ 5,20 e R$ 5,25.

“A desvalorização mais pronunciada do real e do peso mexicano segue as idiossincrasias atuais de cada economia, determinadas pelo aumento dos riscos políticos”, afirma Maciel, ressaltando a expectativa de deterioração fiscal e o aumento da incerteza em relação à condução da política monetária no Brasil.

A expectativa majoritária de investidores e economistas é a de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncie na quarta-feira (19) a manutenção da taxa Selic em 10,50% ao ano, dada a desancoragem das expectativas de inflação e o aumento da percepção de risco fiscal.

Em maio, o BC cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual. Após o desconforto com o placar dividido na reunião anterior, quando quatro diretores indicados pelo governo Lula votaram por corte maior da taxa Selic, uma decisão unânime de manutenção em um comunicado duro poderia reduzir o estresse no mercado local.

Seria um sinal de que o BC não adotaria postura leniente com a inflação a partir de 2025, quando atual presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, será substituído e diretores indicados pelo governo Lula serão maioria no Copom.

“A confirmação de uma parada nos cortes da Selic com placar unânime seria favorável ao real. Mas o que vai definir o comportamento da taxa de câmbio é um discurso do governo a favor do ajuste fiscal”, diz Costa, da Monte Bravo, que prevê a taxa de câmbio ainda rodando entre R$ 5,30 e R$ 5,40 no curto prazo.

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