O dólar bateu recorde pelo terceiro dia seguido e fechou a R$ 6 nesta sexta-feira (29), refletindo o estresse do mercado financeiro com o pacote fiscal do governo federal. Desde quarta-feira, quando foi anunciado o pacote de corte de gasto junto com a isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, a moeda tem escalado e ultrapassado a barreira dos R$ 6. A medida irritou o mercado e, agora, também há o temor em relação aos impactos do câmbio na inflação.Pela manhã, a moeda americana chegou a R$ 6,11. No final do pregão, o dólar registrou alta de 0,19%, cotado a R$ 6,0005. A mínima do dia foi de R$ 5,9564, e a máxima, de R$ 6,1156 — também novo recorde intradiário.O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, atribui o persistente estresse no mercado de câmbio ao pacote de medidas anunciado na quinta-feira. “A desoneração do IR proposta desvia o foco da contenção de gastos e devem encontrar resistências no Congresso”, afirma.Ele acredita que as propostas serão dificultadas por parlamentares de oposição, que podem enfraquecer as medidas e rejeitar a elevação do IR para super-ricos.A expectativa de arrecadação com a tributação de super ricos é inferior ao custo da isenção de IR para rendas de até R$ 5 mil, justifica. Além disso, a inflação pode ser pressionada pelo dólar alto e pelo baixo nível de desemprego no país, elevando os juros futuros acima de 14%, que levam o mercado a apostar em taxa Selic perto de 15% no fim do atual ciclo de aperto, comentaAs falas dos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seguraram a alta da moeda no começo da tarde. Eles indicaram que a isenção de Imposto de Renda só deve passar no Congresso se não prejudicar as contas públicas.O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também fez comentário nesse sentido em encontro com banqueiros. “Esse conjunto de medidas não é o gran finale, não é bala de prata. Daqui a três meses, posso voltar à planilha para discutir a evolução do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e da Previdência”, afirmou o ministro no almoço de fim de ano com dirigentes da Febraban, a entidade que representa os bancos.*Com Estadão Conteúdo