Dólar desce a R$4,06 e tem mínima desde começo de novembro com exterior

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em queda nesta segunda-feira, chegando a oscilar na casa de 4,06 reais, com investidores ainda absorvendo a consolidação de um esperado acordo comercial inicial entre os Estados Unidos e a China e também dados melhores do país asiático.

O real tinha o melhor desempenho entre 33 pares do dólar nesta sessão.

Às 12:50, o dólar recuava 0,96%, a 4,0692 reais na venda. O contrato mais negociado de dólar futuro operava em queda de 0,97% neste pregão, a 4,0700 reais.

Na mínima da sessão, o dólar à vista foi a 4,0691 reais na venda. Pela taxa de compra, a cotação desceu a 4,0686 reais, menor patamar desde 7 de novembro.

Depois de mais de um ano de tensões, os Estados Unidos e a China amenizaram sua guerra comercial na sexta-feira, anunciando a "fase um" de um acordo que reduz algumas tarifas dos EUA em troca do aumento das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos.

O principal negociador comercial dos Estados Unidos, Robert Lightzer, elogiou a "fase um" do acordo comercial com a China, que deve quase dobrar as exportações norte-americanas para a China nos próximos dois anos, enquanto o país asiático continua cauteloso antes da assinatura do pacto.

No dia do anúncio do acordo, na sexta-feira, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,38%, a 4,1086 reais na venda, com os mercados inicialmente avaliando o pacto como pior do que o precificado.

Entretanto, segundo Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, apesar da frustração inicial, "a direção do dólar realmente era para baixo, com a melhora do ambiente externo. Há uma percepção mais favorável do cenário, levando à diminuição da aversão a risco".

Frente a outras moedas arriscadas, a divisa norte-americana apresentava cedia contra rand-sul africano, peso mexicano, won sul-coreano e iuan chinês offshore.

Daqui para frente, os mercados devem ficar atentos a mais detalhes sobre o acordo comercial entre as duas maiores economias do mundo. Uma data para as autoridades norte-americanas e chinesas assinarem formalmente o acordo será determinada, disse Lighthizer.

Nesta segunda-feira, o Banco Central vendeu todos os 10 mil contratos de swap cambial reverso e todos os 500 milhões de dólares em moeda à vista ofertados. O BC vendeu ainda todo o lote de 1,650 bilhão de dólares em leilão de rolagem de linhas de moeda estrangeira com compromisso de recompra.