Entre ditadura militar e Plano Real, Brasil teve sete moedas diferentes
Desde 1964, Real foi a única família de cédulas que alcançou estabilidade econômica
Economia|Do R7*

Em 1967, três anos após a ditadura ser instalada no País, os militares brasileiros resolveram colocar uma nova moeda em circulação, substituindo o cruzeiro pelo cruzeiro novo. A mudança foi a primeira de uma série de alterações que se tornaram rotina no País até 1994, quando o Plano Real foi instaurado. Nesses quase 30 anos, o País passou por sete trocas de moedas por causa de um mesmo problema: a alta inflação.
As cédulas do cruzeiro novo foram aproveitadas do cruzeiro, recebendo carimbos com os novos valores. Assim, mil cruzeiros correspondiam a um cruzeiro novo.
Foi a desvalorização do cruzeiro (que vigorou entre 1942 e 1967) que levou à criação desse padrão de caráter temporário, que vigorou por apenas três anos, até o preparo de novas cédulas e à adaptação da sociedade ao corte de três zeros.
De acordo com o professor do departamento de ciências econômicas da Unesp, Adilson Marques Gennari, a alteração da moeda logo nos primeiros anos do governo militar foi resultado de uma crise estrutural que já afetava a economia desde o período pré-ditatorial e resultava em uma inflação elevada.
— Os pilares da economia estavam extremamente frágeis. O Brasil naquela época exportava pouco, dependia muito do ingresso de capitais e tinha uma indústria fraca. Então, você tinha pressões inflacionárias que vinham desse desarranjo estrutural e foram, de certo modo, contidas.
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Cláudio Amato, profissional especializado em bens de valor, como moedas e cédulas, explica que o cruzeiro novo vigorou até a familiaridade da população com o corte dos três zeros.
— A única coisa que aconteceu foi a inserção de um carimbo nas cédulas. (...) Depois, quando todos já sabiam que o cruzeiro era o cruzeiro novo, a nomenclatura das cédulas próprias que saíram já era novamente de cruzeiro.
Em março de 1970, o padrão monetário voltou a se chamar cruzeiro, mantendo a equivalência com o cruzeiro novo: Um cruzeiro correspondia a um cruzeiro novo.
Cruzeiro de novo
Para Amato, a nova família de cédulas, que apareceu em 1970, foi a primeira tentativa bem sucedida de inserção de moedas no Brasil, porque o dinheiro, antes fabricado na Inglaterra e nos Estados Unidos, passou a ser produzido em solo nacional.
— Em 1970, já com o equipamento da casa da moeda do Brasil, passou-se a emitir dinheiro fabricado no Brasil. (...) [A produção nacional] é uma questão de soberania, porque estavam fazendo dinheiro no próprio País. Com isso, aumenta a empregabilidade e passaram a utilizar aqui dentro o dinheiro que mandariam para fora.
Fim do regime
Após o fim da ditadura, o cruzeiro vigente permaneceu em circulação apenas por mais um ano, quando, em 1986, deu lugar para o cruzado, que tinha o objetivo de conter a inflação, que crescia ainda mais desde o início da década de 80. Na ocasião, um cruzado tinha o valor comercial de mil cruzeiros. Mais uma vez, a nova moeda cortava três zeros em relação ao padrão anterior.
Assim como aconteceu com o cruzeiro novo, a maioria das cédulas do cruzado foi aproveitada do cruzeiro, recebendo carimbos ou tendo suas legendas adaptadas. A moeda rodou pelo País entre 1986 e 1989, quando deu lugar ao cruzado novo, que foi a moeda oficial brasileira por apenas um ano. Eram a quinta moeda que circulava no País desde 1942.
Anos 90
Com a saída do cruzado novo da economia, o velho cruzeiro voltou a circular, desta vez com valor equivalente ao do cruzado novo. No período, as cédulas incluídas na circulação voltaram a ser carimbadas.
Em 1993, foi a vez do cruzeiro real, que propôs uma nova reforma monetária para o Brasil. Cada nova moeda tinha o valor de mil cruzeiros. Era, mais uma vez, a alta inflação que desvalorizava a moeda brasileira e obrigava ao corte de três zeros.
No ano de 1994, chegou ao bolso do brasileiro uma moeda totalmente reformulada. Nascia o Real, que tinha valor equivalente a 2.750 cruzeiros reais. A moeda auxiliou a estabilização econômica e conteve a elevada inflação, que persistia como algoz da população desde os primórdios do regime militar.
*Colaborou Alexandre Garcia, estagiário do R7
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